
Banco Master
Reprodução/Band
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, selaram um acordo nesta segunda-feira para a realização de uma auditoria técnica nos documentos relativos à liquidação do Banco Master. O encontro, ocorrido em Brasília, visou encerrar o conflito institucional entre os órgãos e estabelecer um cronograma de trabalho conjunto.
A reunião foi classificada por ambos os lados como "densa, mas produtiva". O principal desfecho foi a definição de um prazo de até 30 dias para a conclusão de uma auditoria técnica, que analisará os processos conduzidos pela autoridade monetária no caso do Banco Master.
Fim da crise institucional e limites de atuação
O embate entre as instituições havia se intensificado após o ministro relator do caso no TCU, Jhonatan de Jesus, ameaçar reverter o processo de liquidação e determinar uma inspeção coercitiva no Banco Central. A iniciativa foi vista por integrantes do BC como uma interferência indevida, gerando uma crise que culminou na suspensão da ordem por Vital do Rêgo.
Durante o encontro de hoje, Vital do Rêgo reforçou que, embora o TCU tenha o papel constitucional de fiscalizar órgãos públicos, o tribunal não possui competência para rever decisões técnicas do sistema financeiro. "Absolutamente não há nenhuma rusga, muito pelo contrário. Saímos de lá agradecendo um ao outro pela colaboração", afirmou o presidente do TCU após a reunião.
O acordo estabelece que não haverá avanços de uma instituição sobre a competência da outra. A partir de agora, as unidades técnicas trabalharão em um calendário ajustado para analisar a documentação que já está à disposição do tribunal.
Suspeitas de fraude e ligação com o crime organizado
Enquanto as instituições acertam a fiscalização administrativa, a Polícia Federal aprofunda as investigações sobre a operação do Banco Master. O foco está em suspeitas de fraudes bilionárias e uma suposta triangulação para lavagem de dinheiro.
De acordo com as investigações, o banco teria investido R$ 13 bilhões em uma corretora com ligações com a organização criminosa PCC. Um dos pontos centrais da apuração é a Reag, que teria recebido R$ 450 milhões do banco e multiplicado seu patrimônio em 30 mil vezes em apenas 20 dias. Procurada, a Reag preferiu não se manifestar sobre as denúncias.
Clientes aguardam maior socorro da história do FGC
A liquidação do Banco Master deixou um rastro de incerteza para mais de 1,5 milhão de clientes. Dois meses após o encerramento das atividades da instituição, os investidores ainda não sabem quando poderão sacar seus recursos, que são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF.
O caso representa o maior socorro da história do fundo, com uma previsão de restituição de R$ 41 bilhões. No entanto, o FGC informou nesta segunda-feira que ainda não recebeu oficialmente a lista de credores do Banco Master, documento essencial para dar início aos pagamentos.
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