O ex-presidente Jair Bolsonaro criticou a delação do seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, em entrevista concedida nesta segunda-feira (24), a uma rádio no Recife. Segundo Bolsonaro, o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, teria ameaçado a família do ex-militar para obter informações.
“A delação do Cid: tortura. Vocês viram parte dos vídeos vazados agora. Foi tortura. O Alexandre de Moraes ameaçando o pai, a esposa e a filha”
Além disso, a defesa do ex-presidente deve pedir a anulação da delação, também com base nas supostas ameaças do ministro.
Ainda nesta segunda, o advogado de Jair Bolsonaro se encontrou com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Roberto Barroso, e pediu para que um eventual julgamento seja transferido para o plenário da Corte, com a participação de todos os ministros.
Ele pediu ainda que Flávio Dino e Cristiano Zanin não participem das decisões do processo, diante do que define como “proximidade” dos ministros com o presidente Lula.
PF libera áudios da suposta tentativa de golpe
A Polícia Federal liberou novos áudios da investigação sobre a suposta tentativa de golpe para manter o ex-presidente Bolsonaro no poder. As gravações mostram que o plano só não foi para a frente por falta de apoio do Exército e da Aeronáutica.
Entre os áudios encontrados, o General Mario Fernandes comemora um suposto decreto que faria Jair Bolsonaro ficar no poder.
“Kid preto, falei com o Renato, o decreto é real. Foi despachado ontem com o presidente”, disse.
Enquanto isso, Mauro Cid, então ajudante de ordens do ex-presidente avisava que precisava “pressionar” Bolsonaro.
“Se não botar pilha, digamos assim, né, ele mantém ali aquela linha que está sendo tomada inicialmente”, afirmou Cid.
E essa pressão passava pelos manifestantes. O áudio do Tenente Coronel Guilherme Marques Almeida, do comando de operações terrestres do exército, mostra, segunda a investigação, o ‘embrião’ do 8 de janeiro.
“Não adianta protestar na frente do QG do Exército, tem que ir para o Congresso. E as Forças Armadas vão agir por iniciativa de algum poder. Eu acho que o pessoal poderá fazer essa descida. E ir atravancando mesmo. Não tem PM que segure. Vai atropelar a grade e vai invadir. Depois não tira mais”, disse.
Com o passar do tempo, a euforia e o planejamento deram lugar às críticas. À exceção da Marinha, as mensagens mostram que os comandos das Forças Armadas não aderiram ao plano de golpe. O clima foi de frustração.
“O alto comando do exército ele está se fechando em copas, contra a decisão do presidente”, afirmou o Coronel George Hoberto Oliveira Lisboa, assessor especial da Secretaria Geral da presidência.
“Deu ruim tá? Acabei de falar com aquele nosso amigo lá, ele falou que não vai rolar nada, o alto comando não vai topar”, disse o tenente coronel Sérgio Cavaliere.
Os advogados dos citados afirmam que não tiveram acessos aos áudios.
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