Jornal da Band

Bolsonaro diz que está com a consciência tranquila e desdenha de possível prisão após denúncia

Primeira fala pública de Jair Bolsonaro aconteceu em um evento sobre a comunicação do PL

Túlio Amâncio
TÚLIO AMÂNCIO

20/02/2025 • 19:54 • Atualizado em 20/02/2025 • 19:54

O ex-presidente Bolsonaro falou, nesta quinta-feira (20), pela primeira vez depois que a PGR apresentou a denúncia sobre uma suposta tentativa de golpe. Ele disse que está com a "consciência tranquila" e desdenhou de uma possível prisão.

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A primeira fala pública de Jair Bolsonaro aconteceu em um evento sobre a comunicação do PL. Segundo o ex-presidente, não há nenhuma prova contra os citados na denúncia.

"Estamos com a consciência tranquila. Nada mais tem contra nós do que narrativas. Para você denunciar uma pessoa não precisa de 500 páginas. Quem escreve muito, não tem o que mostrar. Alguns falam que gente melhor preparada que eu, tem algumas dezenas, mas com o couro mais grosso que o meu, não tem. Caguei para a prisão”, disse.

De acordo com integrantes da equipe de advogados de Bolsonaro, eles vão sustentar que o ex-presidente não teve participação na suposta tentativa de golpe e que ele chegou a conversar sobre uma minuta de um decreto de estado de defesa, mas em nenhum momento ordenou a ação.

A defesa vai pedir a anulação da delação de Mauro Cid, e contestar a maneira como as perguntas foram feitas. Segundo os advogados, as questões induziram Cid a responder o que a acusação queria.

Ainda segundo a defesa, em 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram atacadas, Bolsonaro não estava no Brasil. O objetivo é dissociar o ex-presidente de outros denunciados para refutar a cadeia de comando apontada pela PGR.

Moraes rejeita pedido da defesa de Bolsonaro

Os advogados do ex-presidente chegaram a protocolar no Supremo um pedido de prazo de 83 dias para apresentar respostas em função de só ter tido acesso aos autos agora, mas o pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Moraes rejeitou a argumentação e reiterou que retirou o sigilo da investigação já no dia 26 de novembro para a defesa dos investigados. Ele ainda ressaltou que não existe previsão legal para tal extensão do prazo – o prazo estipulado pela legislação para manifestação da defesa é de 15 dias.

As defesas dos 34 denunciados receberam 15 dias para se manifestar. Entre as petições que vão chegar ao Supremo por advogados de citados, deve ser apresentado o pedido para remeter o caso para a primeira instância. O argumento é defendido pelo ministro aposentado da Corte, Marco Aurelio Melo. “O Supremo deve atuar apenas nos processos crime em que se tenha envolvido autoridade mencionada na constituição federal. Ex-presidente não goza da prerrogativa de ser julgado pelo supremo. Como também os cidadãos comuns envolvidos no 8 de janeiro", disse.

O julgamento em martelada única, sem mesmo direito, se chegasse a conclusão da culpabilidade, sem mesmo o direito de interpor o recurso de revisão. Eu aguardo que algum dia se pare pra perceber que essa competência largada do Supremo corrói a credibilidade do Supremo junto aos cidadãos comuns", completou.

Advogado de Braga Netto questiona delação de Cid

Em entrevista à Mônica Bergamo, no BandNews TV, o advogado do de Braga Netto, José Luís Oliveira, questionou a delação de Mauro Cid, usada na denúncia da PGR. "Esse senhor prestou 11 depoimentos, não é curioso, a entrega de um dinheiro é uma questão que não se esquece, não é um detalhe qualquer. Eu diria até que é o detalhe mais importante, ele só fala isso no último depoimento", disse.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que não foi incluído na denúncia, vai apresentar, nos próximos dias, um pedido para voltar a ter contato com Jair Bolsonaro.

Há um ano, o presidente do PL e Bolsonaro estão proibidos de conversar porque os dois eram investigados. O contato entre eles é considerado importantes para articulação no Congresso do projeto da anistia aos condenados do 8 de janeiro.

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