Jornal da Band

Bombardeios de Israel no Líbano deixam mais de dois mil mortos

Milhares de pessoas protestam em Beirute contra ataques e criticam possibilidade de negociação de cessar-fogo com o governo de Benjamin Netanyahu

STEFANI COSTA

11/04/2026 • 19:56 • Atualizado em 11/04/2026 • 19:56

O número de mortos no Líbano superou a marca de dois mil desde o início da ofensiva militar de Israel, iniciada no mês passado. O balanço atualizado reflete a intensificação dos ataques aéreos e terrestres, que geraram uma onda de manifestações em Beirute neste sábado (11). Milhares de pessoas ocuparam as ruas da capital libanesa para condenar os bombardeios e expressar desconfiança sobre as tentativas diplomáticas de trégua.

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A mobilização em Beirute foi organizada pelo grupo Hezbollah em conjunto com o partido político Amal. Os manifestantes carregavam cartazes de repúdio às ações israelenses e direcionaram críticas ao governo libanês. A principal queixa do grupo é a possibilidade de uma negociação direta de cessar-fogo com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Resistência diplomática e avanço terrestre

De acordo com informações apuradas por Stefani Costa, a população local manifesta ceticismo em relação aos diálogos diplomáticos. A avaliação entre os manifestantes é que Israel teria descumprido acordos anteriores, citando como exemplo o pacto firmado em novembro de 2024, durante o auge dos conflitos na Faixa de Gaza.

Existe o temor de que uma pausa nos combates sirva apenas para Israel reorganizar suas tropas e ampliar a ocupação por terra no sul do Líbano. O objetivo estratégico militar seria alcançar a margem do Rio Litani, consolidando o controle sobre uma área sensível da fronteira.

Apesar da sinalização de uma nova rodada de conversas, as operações militares não foram interrompidas. Cidades no sul do país, como Nabatieh, registraram destruição completa de vilarejos. Em Sidon, o clima foi de luto com o velório de 13 policiais mortos em um bombardeio contra um edifício governamental ocorrido na última sexta-feira.

Reações internacionais e exigências de Israel

Diante do agravamento da crise humanitária e da persistência dos ataques, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, cancelou a viagem oficial que faria a Washington na próxima semana. A decisão sinaliza o foco total do governo libanês na contenção dos danos internos e na crise de segurança nacional.

Em pronunciamento oficial na televisão, Benjamin Netanyahu reiterou que busca um acordo de paz duradouro. No entanto, o premiê israelense impôs como condição inegociável o desarmamento total do Hezbollah pelo Estado libanês.

A instabilidade atinge também outros pontos da região. Ataques de Israel com drones na Faixa de Gaza deixaram pelo menos oito mortos nos últimos dois dias. O exército israelense justifica as ações como ofensivas contra alvos do grupo Hamas, embora a continuidade da violência venha sofrendo críticas internas. Em Tel Aviv, centenas de israelenses realizaram um ato contra o governo Netanyahu, exigindo a interrupção imediata dos bombardeios no Oriente Médio.

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