O estelionato se consolidou como o principal crime patrimonial do Brasil, com quatro golpes registrados por minuto no País. Só em 2025 foram mais de 2,2 milhões de ocorrências, o equivalente a quase 260 por hora — um crescimento de 430% desde 2018, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
As fraudes se espalham sobretudo pelas plataformas digitais. Uma ligação que parece ser do banco, um pedido de dinheiro feito por alguém que diz ser um familiar, mensagens por WhatsApp, SMS ou Pix e falsas centrais telefônicas são as portas de entrada mais comuns. Na maioria das vezes, os criminosos obtêm as informações das vítimas em sites não seguros, criam situações de urgência e tentam convencer a pessoa a agir rapidamente, antes que ela desconfie.
O medo já faz parte da rotina do brasileiro: 83% da população teme sofrer um golpe pela internet ou pelo celular. A apreensão tem base concreta. A aposentada Maria Zeneide Ramos recebeu uma mensagem de alguém que dizia ser seu filho e afirmava ter trocado de número, pedindo dinheiro para pagar uma conta. Ela transferiu R$ 2,5 mil e só depois descobriu que havia sido enganada.
"Eu me senti muito nervosa, paralisada na hora", relata. Ela conta que chegou a receber um aviso do próprio banco alertando para a possibilidade de golpe, mas não deu ouvidos à mensagem.
O golpe do WhatsApp é um dos mais comuns no País, mas o repertório dos criminosos é amplo. Eles também clonam cartões de crédito, fingem ser funcionários de banco, pedem transferências por Pix e simulam lojas e leilões na internet.
Para o especialista em dados digitais Pedro Tavares, o enfrentamento aos estelionatos depende da atuação conjunta de diferentes setores. "Quando você consegue ter a cooperação desses segmentos todos trabalhando no sentido de combater o crime e tem uma regulamentação, uma legislação que pune adequadamente o criminoso, você tem mais sucesso", afirma, ao citar as big techs, os bancos e o governo.
Os golpes mudam de formato todos os dias, mas a recomendação dos especialistas permanece a mesma: desconfiar de pedidos estranhos e confirmar as informações antes de transferir qualquer quantia. Um cuidado que faz diferença diante de um crime que avança em ritmo acelerado.
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