Jornal da Band

Câmeras escondidas em hotéis: saiba como se proteger

Dispositivos camuflados em relógios e tomadas registram hóspedes sem consentimento; crime de filmagem não autorizada pode levar a cinco anos de prisão

LEANDRO SANT'ANA

02/04/2026 • 20:03 • Atualizado em 02/04/2026 • 20:03

O uso de tecnologias de monitoramento para a invasão de privacidade em hospedagens temporárias e hotéis tem gerado alertas de segurança e autoridades. Dispositivos de filmagem são escondidos de forma criminosa em objetos cotidianos, como relógios digitais, tomadas, quadros e ventiladores, para registrar a intimidade de hóspedes sem qualquer consentimento. Essas imagens, que incluem momentos privados e relações sexuais, são transformadas em mercadoria e comercializadas ilegalmente em redes sociais e aplicativos de mensagens.

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Relatos de vítimas como o publicitário Mateus Bandeira e a hóspede Camila detalham o uso de equipamentos cada vez menores e mais acessíveis, cujos preços variam de 500 a 5 mil reais. Em um dos casos, Mateus identificou uma câmera escondida em um relógio de frente para a cama em um imóvel alugado via plataforma digital.

Já Camila precisou desmontar uma tomada para constatar a presença de um dispositivo espião ligado. O detetive Francisco Aguiar aponta que, nos últimos dez anos, a demanda por varreduras profissionais cresceu significativamente, correspondendo a 50% do trabalho de sua empresa, devido à migração do uso desses aparelhos de fins de segurança para a espionagem mal-intencionada.

Orientações para identificação e medidas legais

A identificação visual desses dispositivos a olho nu é difícil, com chances estimadas em apenas 10% por especialistas. No entanto, algumas técnicas simples podem auxiliar o hóspede a detectar irregularidades no ambiente:

  • Uso da lanterna do celular: Direcionar a luz sobre objetos eletrônicos para identificar o reflexo de lentes ocultas.
  • Observação de posicionamento: Verificar objetos voltados diretamente para áreas de maior intimidade, como a cama ou o banheiro.
  • Inspeção de periféricos: Desconfiar de tomadas, relógios, luzes incomuns em ambientes escuros ou aparelhos desconhecidos.
  • Procedimento de segurança: Caso algum dispositivo suspeito seja encontrado, a orientação é não tocar no equipamento e acionar a polícia imediatamente para o registro da ocorrência.

Do ponto de vista jurídico, filmar pessoas em momentos de intimidade sem consentimento configura crime grave. Segundo o advogado Thiago Ferreira Sá, a violação da expectativa de privacidade em locais de hospedagem agrava a situação legal do responsável. A pena para este tipo de prática criminosa pode chegar a cinco anos de prisão. Além das implicações criminais, plataformas de aluguel por temporada são notificadas para a remoção imediata das acomodações envolvidas em denúncias dessa natureza.