Uma apuração da Receita Federal revela que o banqueiro Daniel Vorcaro teria utilizado um empréstimo desviado do Banco Master para a aquisição de uma mansão avaliada em R$ 36 milhões em Brasília. O imóvel, que possui 1.700 metros quadrados, luxo sofisticado e vista para o Lago Paranoá, está registrado em nome de um fundo pertencente a Fabiano Zéttel, cunhado do banqueiro.
Zéttel foi detido nesta semana durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. Embora tenha sido liberado logo após a ação, teve seu celular e passaporte apreendidos pelas autoridades. O próprio Daniel Vorcaro admitiu à Polícia Federal que a construção da residência na capital federal teve como objetivo "aprofundar contatos". O local já recebeu figuras proeminentes da política e do judiciário, como o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Triangulação financeira e o Resort no Paraná
A Polícia Federal investiga uma fraude bilionária no Banco Master que teria utilizado uma rede complexa de transferências entre empresas para ocultar o destino final dos recursos. Uma das linhas de apuração foca na compra de um resort no Paraná por aproximadamente R$ 20 milhões.
O esquema envolveria investimentos do fundo Leal, de Fabiano Zéttel, aplicados no fundo Arleen. Ambos eram geridos pela Reag Investimentos, instituição liquidada pelo Banco Central recentemente. O fundo Arleen, por sua vez, investiu na empresa DGEP, de Mario Humberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli.
A DGEP adquiriu participações na Tayaya, administradora do resort, cujos sócios também incluíam José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF. Os irmãos de Toffoli venderam parte de sua participação no empreendimento para o fundo Arleen.
Prazos e perícia técnica no STF
O ministro Dias Toffoli, que atua como relator do caso Master no Supremo, adotou medidas recentes que impactam o cronograma das investigações. Ele reduziu de seis para dois dias o prazo para uma rodada de depoimentos à Polícia Federal, marcados para o final deste mês. A decisão ocorre em meio a críticas do ministro sobre a suposta "falta de empenho" da PF no cumprimento de prazos. Paralelamente, a pedido da corporação, Toffoli prorrogou o inquérito por mais 60 dias.
Para avançar na coleta de provas, o ministro autorizou que quatro peritos da Polícia Federal utilizem equipamentos de última geração para acessar o conteúdo dos celulares apreendidos. Há uma forte expectativa em Brasília sobre o possível vazamento de conversas e documentos que envolvam autoridades dos Três Poderes, devido ao trânsito frequente do banqueiro Daniel Vorcaro nos círculos políticos da capital.
Em nota, a defesa de Fabiano Zéttel afirmou que ele vendeu o fundo Arleen em 2022. Os advogados de Daniel Vorcaro declararam que o banqueiro não possui conhecimento sobre os negócios citados. O ministro Dias Toffoli, seus parentes e a administração do Tayaya Resort foram procurados, mas não se manifestaram sobre o caso.
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