Um gol no último minuto, a bola que insiste em bater na trave e a decisão nos pênaltis mexem com o torcedor muito além do placar – e podem cobrar um preço da saúde. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) apontou crescimento de 16% no número de infartos em dias de jogos da Seleção Brasileira, revelando que a emoção do futebol tem impacto direto sobre o coração de quem acompanha as partidas.
A análise foi feita com base em mais de 150 mil internações registradas entre 1998 e 2010, envolvendo pessoas acima dos 35 anos. O risco de uma forte emoção causar um infarto é maior, claro, em quem já tem alguma questão prévia, como colesterol alto ou diabetes.
Por isso, manter os exames em dia, seguir uma rotina saudável com exercícios e adotar uma dieta equilibrada são medidas essenciais. Mas a recomendação para a hora do jogo vale para todo mundo, independentemente do histórico de saúde.
A cardiologista Thaís Pinheiro Lima, da Sociedade Brasileira de Cardiologia lista os cuidados que reduzem o perigo diante da televisão.
"Não misturar energético, álcool e comidas gordurosas, não deixar de tomar seus remédios habituais, se perceber que o coração tá acelerando demais tomar uma água, mudar de ambiente, não entrar em briga, se sentir dor no peito procurar ajuda médica", orienta.
A experiência de quem já passou por um susto reforça o alerta. Depois de quatro stents no coração, o advogado Augusto Kwon passou a evitar o estresse a todo custo. Faz exercícios, come e dorme melhor, e diz que a mudança de hábitos ajudou a controlar as emoções na hora do jogo.
"Antes o sangue subia na cabeça. Durante o jogo eu faço pipoca, eu como pipoca, vou fazer pipoca até o Brasil hexa", conta, entre o bom humor e a consciência do próprio limite.
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