Armazenar a energia gerada pelo sol, um dos grandes gargalos para a expansão das fontes renováveis no mundo, tornou-se realidade na China por meio de sistemas de baterias em larga escala. O país utiliza megacontêineres equipados com baterias de lítio para guardar a eletricidade captada pelas fazendas solares e garantir o suprimento contínuo nos momentos de pico de demanda.
Em uma única subestação no país, 80 contêineres interligados conseguem armazenar energia suficiente para abastecer cerca de 500 mil residências por quatro horas. A estratégia visa dar estabilidade à rede elétrica, superando a instabilidade natural das fontes eólica e solar.
Liderança global e contraste com o Brasil
A China lidera o ranking mundial em capacidade de energia solar fotovoltaica, impulsionada por investimentos em energia verde que alcançaram 675 bilhões de dólares em 2025.
No Brasil, que ocupa a sexta posição global no segmento, a energia solar fotovoltaica já representa cerca de 10% da matriz elétrica. No entanto, a tecnologia de armazenamento ainda caminha a passos lentos no território nacional: a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou apenas recentemente a primeira unidade de armazenamento vinculada a uma usina solar na Bahia.
Diferente do modelo chinês focado em grandes plantas com subestações de estocagem, a maior parte da energia solar brasileira vem da geração distribuída em residências e empresas que injetam o excedente diretamente na rede comum.
Eficiência no setor produtivo e dependência do carvão
Na China, a energia limpa também é aplicada diretamente na indústria. Em Tangshan, uma fábrica do setor pecuário passou a operar integralmente com energia fotovoltaica em toda a sua cadeia de produção. A transição permitiu à empresa deixar de queimar 21 mil toneladas de carvão e evitar a emissão de 61 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.
Apesar do forte avanço dos renováveis, a segunda maior economia do mundo ainda mantém alta dependência de fontes fósseis, com o carvão respondendo por 54% da matriz energética chinesa. Como a produção solar e eólica é sujeita a oscilações climáticas, o governo chinês segue modernizando usinas a carvão para assegurar a estabilidade do sistema.
Atualmente, as fontes limpas representam 42% da energia utilizada no país — ante 34% registrados em 2020 — com a meta governamental de atingir 88% de participação limpa até 2050.
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