Em um encontro realizado nesta quarta-feira (20) em Pequim, os presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin reafirmaram a robusta aliança entre China e Rússia. Durante a cúpula, as duas potências selaram novos acordos de cooperação nas áreas de energia, tecnologia e inteligência artificial, sinalizando um alinhamento estratégico que desafia a atual política externa dos Estados Unidos.
A visita de Putin à China, que durou 24 horas, foi marcada por uma recepção cerimonial de alto nível. O protocolo incluiu revista às tropas e o uso de símbolos diplomáticos que espelharam o tratamento dado anteriormente ao governo americano, reforçando a mensagem de cooperação mútua entre Pequim e Moscou.
Recados aos Estados Unidos
Embora Donald Trump não tenha sido mencionado nominalmente em diversos momentos, as declarações de Xi Jinping foram interpretadas como críticas diretas à gestão americana. O líder chinês afirmou que uma retomada dos ataques no Oriente Médio seria "inaceitável" e alertou que o mundo caminha para o que classificou como "lei da selva".
Em nota conjunta divulgada ao fim das reuniões, Pequim e Moscou defenderam a promoção de um "mundo multipolar" — onde o poder global seja distribuído entre mais de uma potência — e condenaram expressamente os planos de Trump para a criação de um escudo antimísseis inspirado no Domo de Ferro de Israel. Em nenhum momento da agenda, a guerra da Rússia contra a Ucrânia foi incluída nas pautas de discussão.
Pressão interna em Washington
Enquanto Xi e Putin estreitavam laços na Ásia, Donald Trump enfrentava desdobramentos diplomáticos e internos. Em Nova York, o presidente dos Estados Unidos declarou que as negociações com o Irã, país aliado de Rússia e China, estariam em "estágios finais", embora tenha renovado ameaças contra o regime islâmico caso um acordo de paz não seja consolidado.
A pressão sobre a política externa da Casa Branca também atingiu o Legislativo. Em uma derrota para a gestão Trump, o Senado norte-americano aprovou um projeto que exige a retirada das tropas deslocadas para o Oriente Médio, caso a ofensiva militar não receba uma autorização formal do Congresso.
Segundo informações da imprensa americana, integrantes da comitiva de Trump que viajaram à China decidiram descartar todos os presentes recebidos durante a missão diplomática, por receio de que pudessem conter dispositivos de espionagem.
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