A elevação do nível do Rio Caí voltou a isolar comunidades no município de Feliz. A ponte improvisada com contêineres, construída por moradores em maio de 2024 e reconstruída após ser levada pelas águas em janeiro de 2025, teve as cabeceiras destruídas pela força da correnteza.
O bloqueio obriga motoristas a realizarem desvios de até 15 quilômetros para acessar serviços essenciais, como creches e empresas.
Os temporais no Rio Grande do Sul já afetam mais de 160 municípios, deixando mais de mil pessoas desabrigadas ou desalojadas. Embora o nível dos rios esteja em declínio no Vale do Taquari, a atenção desloca-se para a Região Metropolitana de Porto Alegre, devido ao escoamento das águas pelo Delta do Rio Jacuí.
Na capital, a previsão indica elevação do Lago Guaíba até sábado. Apesar de não haver projeção de alagamentos na área central, o bairro Arquipélago permanece sob risco de inundações.
Estado de emergência
Os fortes temporais que atingiram o Rio Grande do Sul nas últimas 24 horas já afetaram mais de 140 municípios e levaram pelo menos sete cidades a decretar estado de emergência. O volume expressivo de chuva fez com que os rios Taquari e Caí ultrapassassem a cota de inundação, provocando novos estragos e transtornos.
A região Norte do Estado foi a primeira a sentir os impactos mais severos. Cidades como Passo Fundo, Marau e Paraí registraram acumulados entre 175 mm e 200 mm de chuva em um curto período.
Entre os episódios de perigo registrados durante o temporal:
- Ibiraiaras: Um ônibus com 18 trabalhadores que voltavam para casa foi arrastado pela correnteza, mas todos os ocupantes foram resgatados em segurança.
- Frederico Westfalen: O vendaval destruiu a vitrine de uma loja e atingiu um funcionário, que teve ferimentos leves.
- Encontro dos rios das Antas e Carneiros: A força das águas arrastou uma casa e obrigou a interdição da ponte entre Serafina Corrêa e Nova Bassano.
Alerta vermelho nos rios e críticas aos alertas
O Rio Caí entrou em alerta vermelho para cheia nos municípios de Montenegro e Harmonia. Situação semelhante ocorre na bacia do Rio Taquari, com registros de enchentes em ao menos dez municípios.
Em Lajeado, a água voltou a invadir o centro da cidade durante a madrugada após o rio atingir a cota de inundação. A prefeitura local criticou a falta de previsibilidade dos avisos estaduais. O governo do Estado admitiu que os modelos iniciais não indicavam o risco de inundação e que as projeções só foram corrigidas quando o nível do rio já estava prestes a atingir a marca crítica de 19 metros.
O novo episódio de cheia atinge moradores que ainda tentavam se reconstruir das históricas enchentes de 2024, gerando apreensão e novos prejuízos materiais pela perda de móveis e objetos pessoais recém adquiridos.
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