Jornal da Band

Cidade do RS reduz dependência do Bolsa Família com busca por empregos

Estratégia municipal na Serra Gaúcha conecta beneficiários do CadÚnico a vagas de trabalho e supera média nacional de redução do programa

EDUARDO CARVALHO

31/03/2026 • 20:01 • Atualizado em 31/03/2026 • 20:01

A cidade de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, registra uma queda expressiva no número de beneficiários do Bolsa Família. Em um período de um ano e meio, o total de famílias atendidas pelo programa federal no município recuou quase 40%. O resultado é fruto de uma iniciativa local focada em diminuir a dependência do auxílio por meio da empregabilidade.

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Uma das beneficiadas pela mudança é Renata Oliveira, que teve o Bolsa Família como única fonte de renda por dois anos. Atualmente trabalhando como atendente, ela relata que, embora o benefício ajudasse no essencial, a vida era limitada. "Agora eu estou bem, estou aliviada. Trabalhar é bem melhor", afirma.

Estratégia de busca ativa e sensibilização

O programa municipal, intensificado desde o final de 2024, utiliza a estratégia de busca ativa. Servidores da prefeitura visitam os endereços informados no CadÚnico para oferecer oportunidades de emprego pessoalmente aos moradores. Eduardo Carvalho destaca que essa abordagem direta é o diferencial para conectar quem precisa trabalhar às vagas disponíveis no mercado regional.

Segundo Adriane Lazzarotto, coordenadora do CadÚnico em Bento Gonçalves, o principal desafio era alinhar o perfil dos candidatos às exigências das empresas. O governo municipal atuou na sensibilização do setor privado para acolher esse público, intermediando a contratação de pessoas que encontravam dificuldades em inserir seus currículos nos processos seletivos tradicionais.

Comparativo com dados nacionais

Os números refletem a eficácia da política local em comparação ao cenário nacional. Em novembro de 2024, Bento Gonçalves contabilizava 2.115 cadastros no Bolsa Família; em março de 2026, esse número caiu para 1.296.

Embora o Brasil também tenha registrado uma redução no mesmo período — passando de 20,7 milhões para 18,7 milhões de famílias atendidas —, o índice de queda em Bento Gonçalves foi proporcionalmente superior à média do país. Para a gestão municipal, o foco na autonomia financeira dos cidadãos é o caminho para resolver uma das principais críticas ao programa: a dificuldade de saída dos beneficiários por falta de alternativas de renda estável.