A Brigada Militar do Rio Grande do Sul confirma o afastamento de 18 policiais militares envolvidos em uma operação que resultou na morte do agricultor Marcos Nörnberg, de 48 anos. O caso ocorreu na madrugada de quinta-feira, em Pelotas, no interior do estado. O comandante-geral da corporação admite que houve um "grande equívoco" durante a ação policial.
A operação foi desencadeada após a polícia gaúcha receber informações da Polícia Militar do Paraná. A pista indicava que uma quadrilha especializada em roubo de carros estaria escondida na propriedade rural. No entanto, a investigação preliminar aponta que a informação não se confirmou e as vítimas eram, na verdade, moradores locais sem relação com o crime.
Dinâmica da invasão e depoimento da família
O incidente aconteceu por volta das três horas da manhã, quando as equipes policiais cercaram o sítio da família Nörnberg. Marcos e sua esposa, Raquel Noremberg, acordaram com o barulho da movimentação externa. Segundo relatos da viúva, o casal acreditou que a residência estava sendo alvo de um assalto.
Diante da ameaça percebida, os policiais exigiram a abertura da porta. Marcos Nörnberg, em uma tentativa de defesa, pegou uma arma de fogo. No momento em que as autoridades invadiram a casa, teve início uma troca de tiros. Raquel Noremberg relata que os policiais derrubaram as portas de vidro e dispararam de diversos pontos da residência, inclusive utilizando fuzis durante o confronto.
Desdobramentos e investigação
O sepultamento do agricultor ocorreu na tarde desta sexta-feira, em Pelotas. A medida administrativa de afastar os 18 policiais visa garantir a transparência das investigações enquanto o inquérito avança.
Nos próximos dias, a Polícia Civil e a Corregedoria da Brigada Militar devem intensificar as oitivas para esclarecer as falhas de inteligência e execução da operação. Estão previstos os depoimentos de todos os agentes que participaram da invasão, além do relato oficial da viúva, Raquel Noremberg, que presenciou a ação.
O foco das autoridades agora se volta para entender como uma pista externa levou a uma mobilização tática dessa magnitude contra civis inocentes. A Brigada Militar reitera que o afastamento é preventivo e que todos os protocolos de atuação estão sendo revisados após o erro admitido pelo comando.
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