Jornal da Band

Comércio popular em SP e RJ ferve na véspera do Natal

Centros comerciais de São Paulo e Rio de Janeiro recebem mais de um milhão de pessoas por dia atraídas por preços baixos e promoções de última hora

LAILA HALLACK

21/12/2025 • 17:51 • Atualizado em 21/12/2025 • 17:51

Resumo

Movimento intenso marca os principais centros de comércio popular do Brasil, como Saara no Rio de Janeiro e 25 de Março em São Paulo, com consumidores em busca de presentes de Natal nas semanas finais do ano.

Experiência dos clientes envolve ambiente lotado e busca por preços baixos, com destaque para a variedade de produtos oferecidos, tradição histórica dos locais e influência do décimo terceiro salário no aumento das compras.

Perspectiva positiva para comerciantes é impulsionada pelo fluxo de turistas, grande procura por lembranças e decoração, e sensação de compensação pelo baixo preço, apesar do desconforto das multidões, consolidando a importância desses polos para o varejo nacional.

Na reta final para as festas de fim de ano, os principais polos de comércio popular do Brasil registram movimento intenso de consumidores que buscam garantir os presentes de Natal. No Rio de Janeiro, a Sociedade de Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega, conhecida pela sigla Saara, e em São Paulo, a Rua 25 de Março, tornaram-se o cenário de uma verdadeira corrida contra o tempo.

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No Saara, o ambiente é descrito como “sufocante” pela agente de saúde Terezinha Teles, enquanto a estudante Carolayne Santos ressalta que, apesar da lotação, o esforço é justificado pelos preços atrativos. O polo comercial carioca, cujos comerciantes ocupam a região desde o século 19, abriga mais de mil lojas distribuídas por 12 ruas. O local preserva casarões históricos graças a uma mobilização de lojistas nos anos 60, que impediu a construção de um viaduto na área. Entre as ofertas que atraem os clientes, destacam-se itens de vestuário e acessórios com valores que variam entre 5 e 14 reais.

Tradição e diversidade de produtos em São Paulo

Em São Paulo, a Rua 25 de Março mantém sua fama de “gigante” do comércio popular, recebendo mais de um milhão de pessoas diariamente na véspera das festas. O nome da via é uma homenagem à data da promulgação da primeira Constituição brasileira, ocorrida há 160 anos, fato que ainda surpreende quem trabalha na região há décadas, como a vendedora Maria das Neves. A vocação comercial do endereço, iniciada por imigrantes árabes que comercializavam tecidos, expandiu-se para uma variedade que inclui desde insumos para artesanato até artigos de uso doméstico.

A análise do comportamento de compra revela que muitos deixaram para ir às ruas apenas após o recebimento do décimo terceiro salário. “Dinheiro só caiu hoje, só deu para vir hoje”, afirma a estudante Nicolie Gomes no Rio de Janeiro. Em São Paulo, o clima ainda é predominantemente natalino, embora o Ano Novo já comece a influenciar as vendas. O motorista Leandro Cobo, por exemplo, buscou itens específicos como roupas íntimas amarelas para atrair sorte na virada de ano.

Perspectivas de vendas e turismo

Para os comerciantes de ambos os centros, o período é de celebração pelo volume de vendas. Jaqueline Rufino, gerente de loja, destaca a correria típica da época, com grande procura por decoração e lembranças de última hora. No Rio de Janeiro, o movimento é reforçado pelo fluxo de turistas. Funcionários públicos como Helga Fernandes e Marcos Costa aproveitam a variedade de souvenirs, como réplicas do Cristo Redentor, para presentear familiares.

A disputa simbólica pelo título de maior shopping a céu aberto do país entre a 25 de Março e o Saara termina com um saldo positivo para o setor varejista. Enquanto no Rio já há quem planeje as compras para o Carnaval, em São Paulo a babá aposentada Delza Maria da Silva resume o sentimento geral de quem frequenta esses polos: mesmo com o “sufoco” das multidões, o preço baixo faz a visita valer a pena.