Jornal da Band

Monitoramento digital: como a polícia antecipou e barrou ataques em SP e RJ

Núcleo de inteligência interceptou manuais de bombas e planos de "guerra" em plataformas como Discord e Telegram para evitar tragédias.

Rodrigo Hidalgo
RODRIGO HIDALGO

03/02/2026 • 20:03 • Atualizado em 03/02/2026 • 20:03

A desarticulação de um grupo criminoso que planejava ataques violentos na Avenida Paulista e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro foi resultado de um monitoramento minucioso em ambientes virtuais. O trabalho do Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil permitiu que os investigadores saíssem do campo da suspeita para a intervenção direta, impedindo que os planos saíssem do papel.

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Por trás de telas de celulares e computadores, investigadores acompanham, em tempo real, o fluxo de mensagens em plataformas como Discord, Telegram e até no jogo Roblox. Esses espaços, muitas vezes usados por jovens para lazer, têm sido capturados por células extremistas para a organização de atos de vandalismo e violência coordenada.

Intercepção de manuais e o "dia de guerra"

O monitoramento digital foi decisivo ao identificar que o grupo, composto por cerca de sete mil pessoas em todo o país, compartilhava um conteúdo técnico perigoso. As mensagens continham instruções detalhadas para a fabricação de coquetéis molotov e bombas caseiras, além de táticas para identificar policiais infiltrados em manifestações.

O alerta vermelho para as autoridades acendeu no último domingo (1), quando as postagens passaram a mencionar o dia seguinte como um "dia de guerra". Ao cruzar essas ameaças com a localização em tempo real dos usuários, a polícia conseguiu identificar os pontos exatos onde os ataques começariam.

Ação em tempo real e prisões em flagrante

Com as informações extraídas das redes sociais, a operação foi montada para interceptar os suspeitos antes da execução dos atos. Em São Paulo, 12 pessoas foram presas, algumas já posicionadas na Avenida Paulista portando garrafas de vidro, óleo de motor e isqueiros — materiais que as mensagens anteriores ensinavam a transformar em explosivos.

No Rio de Janeiro, a cooperação entre as polícias civis, baseada na troca de dados digitais, levou à prisão de três homens em frente à Assembleia Legislativa. Eles portavam bombas caseiras prontas para o uso. Segundo a Secretaria da Segurança, a ligação direta entre os grupos dos dois estados só foi confirmada graças ao rastreamento dos administradores das comunidades virtuais.

O desafio da segurança no ambiente virtual

A investigação aponta que a estrutura dessas organizações funciona de forma descentralizada, o que torna o monitoramento constante uma ferramenta inegociável para a segurança pública. O uso de algoritmos e a presença de agentes disfarçados nesses grupos permitem que a polícia identifique padrões de comportamento antes que eles se transformem em violência física.

O material apreendido, tanto físico quanto digital, passa agora por uma perícia técnica. O objetivo é mapear a rede de influenciadores que disseminam esses manuais de ataque. A Polícia Civil ressalta que o foco do núcleo de inteligência continuará sendo a antecipação de movimentos em plataformas de difícil moderação, onde o anonimato é frequentemente usado como escudo para o planejamento de crimes.

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