Jornal da Band

Comunidade do Colégio Pedro II protesta após estupro coletivo no RJ

Alunos e professores cobram agilidade em processos de assédio; Justiça mantém internação de menor apontado como mentor do crime

LAILA HALLACK

10/03/2026 • 22:24 • Atualizado em 10/03/2026 • 22:24

A comunidade acadêmica do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, realizou um protesto nesta terça-feira (10) em resposta ao estupro coletivo ocorrido em Copacabana. A manifestação reuniu alunos e professores da tradicional instituição, onde estudavam a vítima e dois dos cinco acusados de participação no crime. O ato foi marcado por cartazes de apoio à jovem e cobranças rigorosas à direção da escola por medidas de prevenção e combate à violência de gênero.

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Durante a mobilização, representantes do corpo docente e discente denunciaram a morosidade institucional. Priscila Bastos, professora e membro da comissão de mulheres do Sindscope, apresentou dados alarmantes: processos de assédio dentro do colégio levam, em média, 25 meses para serem apurados. "É um tempo que não podemos esperar", afirmou. Em resposta, o Colégio Pedro II informou que está implantando um novo plano de prevenção e negou ter sido omisso em casos anteriores.

Desdobramentos judiciais e transferências

No campo jurídico, a Justiça do Rio decidiu manter a internação provisória do adolescente de 16 anos, apontado como o mentor intelectual do crime. A medida será reavaliada no início de abril, quando uma nova audiência deve definir como o menor responderá pelo ato infracional análogo ao estupro.

Já os quatro maiores de idade envolvidos — Matheus Veríssimo Zoel Martins, João Gabriel Xavier Bertho, Victor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Alegretti — foram transferidos nesta terça-feira para um presídio em São Gonçalo, na Região Metropolitana. A transferência ocorre no momento em que a polícia divulga as imagens de todos os acusados fichados no sistema prisional.

Investigação de grupos de ódio na internet

A Polícia Civil também investiga a conexão dos jovens com comunidades digitais que disseminam discursos de ódio contra mulheres. Um vídeo gravado pelo grupo logo após o crime mostra os envolvidos debochando da situação. Paralelamente, a Polícia Federal abriu uma investigação sobre a trend "o que fazer caso ela diga não", que voltou a circular em redes sociais com vídeos que simulam agressões contra mulheres que recusam propostas de relacionamento. As plataformas digitais afirmaram que os conteúdos denunciados já foram removidos.

A polícia pretende ainda intimar o ex-subsecretário José Carlos Costa Simonin, pai de um dos acusados e proprietário do apartamento onde o crime ocorreu. Ele é suspeito de ameaçar o advogado da vítima e uma influenciadora digital que repercutiu o caso. A família de Simonin alega que ele está desaparecido e em possível surto psicótico.