O escândalo financeiro envolvendo o Banco Master ganhou novos contornos políticos nesta terça-feira, com o início de uma disputa por protagonismo nas investigações dentro do Congresso Nacional. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou convites para ouvir figuras centrais do caso e autoridades do setor financeiro, enquanto parlamentares da oposição pressionam pela abertura de uma Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) Mista.
Entre os convidados pela CAE estão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu ex-sócio, Augusto Lima. O colegiado também aprovou a convocação dos presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly.
Um grupo de trabalho foi formalmente montado para acompanhar os desdobramentos das investigações, embora as datas das audiências ainda não tenham sido definidas, uma vez que, por se tratar de convites, os citados podem recusar o comparecimento.
Movimentações institucionais e críticas de Renan Calheiros
A agenda de apuração segue intensa no Senado. Para esta quarta-feira, está prevista uma reunião entre senadores da comissão, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. O objetivo é alinhar informações sobre o rombo financeiro e as suspeitas de irregularidades que teriam perdurado por anos.
O senador Renan Calheiros classificou o episódio como um dos mais graves do sistema financeiro recente. "A fraude bilionária do Banco Master alarma o país e funcionou por anos como um globo da morte para o mercado", afirmou o parlamentar, sinalizando a gravidade dos fatos que agora estão sob lupa legislativa.
Disputa política e o Plano de Recuperação do FGC
Apesar da movimentação no Senado, o clima é de tensão com a Câmara dos Deputados. Parlamentares de oposição acusam o grupo de trabalho do Senado de tentar monopolizar as investigações em um ano eleitoral.
Eles defendem que apenas uma CPI Mista teria o poder necessário para investigar o escândalo a fundo. No entanto, os pedidos de abertura da comissão enfrentam resistência das presidências das duas Casas, que mantêm os requerimentos sem previsão de leitura.
No campo econômico, o Conselho do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já começou a traçar um plano de contingência para conter os danos da liquidação da instituição. O rombo estimado é de quase R$ 50 bilhões. A proposta aprovada prevê uma taxa extraordinária de até 60% no valor pago pelos bancos associados, além da antecipação de até sete anos de contribuições para garantir a estabilidade do sistema e cobrir os prejuízos causados pela fraude.
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