Jornal da Band

COP30 chega ao fim em Belém com resultados positivos e fracassos

Apesar de impasses, a COP na capital paraense destravou R$ 7 trilhões para o clima até 2035 e incluiu o enfrentamento à desinformação climática na decisão final

Túlio Amâncio
TÚLIO AMÂNCIO

24/11/2025 • 20:23 • Atualizado em 24/11/2025 • 20:23

A estrutura gigantesca que abrigou ministros, negociadores e representantes de quase 200 países para a Conferência do Clima (COP30) já começou a ser desmontada no Parque da Cidade, em Belém. Em meio a intensos impasses e discussões, a conferência, realizada na capital paraense, resultou em alguns pontos positivos importantes para o debate global.

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Resultados positivos da Conferência

A COP30 trouxe resultados notáveis, principalmente no âmbito financeiro e na pauta de desinformação.

Financiamento Climático Destravado: Os países prometeram mobilizar o equivalente a R$ 7 trilhões em recursos até 2035 para o financiamento climático, o que corresponde a US$ 1,7 trilhão.

Amazônia em Destaque: O evento reafirmou a importância da Amazônia como protagonista no debate global sobre o clima.

Combate à Desinformação: Pela primeira vez na história das conferências do clima, o combate às fake news climáticas foi incluído na decisão final da COP.

Impasses e Desafios

O evento também enfrentou desafios e críticas. Um dos pontos negativos foi a menção da Organização das Nações Unidas (ONU), que criticou publicamente a infraestrutura do evento.

Além do "puxão de orelha" da ONU, houve um incêndio no pavilhão principal, que chegou a paralisar as negociações por um período.

Outro revés foi a principal pauta do governo brasileiro, que não avançou na plenária: o mapa do caminho. Este é um cronograma detalhado que visa a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.

A discussão sobre os combustíveis fósseis foi travada principalmente por países produtores de petróleo, como Arábia Saudita, Índia e Rússia.

Mapa do Caminho será desenvolvido em ação independente

Para contornar o impasse, a presidência da COP30 optou por criar uma ação independente para desenvolver o mapa do caminho.

Essa iniciativa será conduzida durante a gestão do Embaixador André Corrêa do Lago, que se estenderá até novembro do ano que vem, quando será realizada a COP31, na Turquia.

André Corrêa do Lago afirmou que o trabalho não terminou com o encerramento oficial da conferência. Ele ressaltou que, nos próximos meses, o foco será duplo: “A COP acabou, mas não acabou... Uma das coisas que vai nos animar nos próximos meses vai ser esse exercício de desenvolver o mapa do caminho sobre a redução da dependência de combustíveis fósseis e também de como vamos acelerar o combate ao desmatamento”.

Os moradores de Belém e ativistas ambientais, por sua vez, ressaltam que o maior legado da conferência vem do povo da cidade, da voz da Amazônia, que se fez presente em todo o debate global.

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