A crise no mercado internacional de petróleo acendeu um alerta para o setor aéreo brasileiro. O aumento na cotação do barril de petróleo deve impactar diretamente o valor das passagens de avião no Brasil devido à política de precificação adotada pela Petrobras para o combustível das aeronaves.
A Petrobras é responsável pela produção de mais de 80% do querosene de aviação (QAV) utilizado no país. No entanto, ao contrário do que ocorre com o diesel e a gasolina, a estatal mantém o preço do QAV atrelado ao mercado internacional, como se o produto fosse integralmente importado.
Impacto nos custos das empresas
O querosene de aviação é um dos itens de maior peso na planilha de custos das companhias aéreas, chegando a representar cerca de um terço das despesas operacionais. Com a manutenção da política de paridade internacional, qualquer oscilação no preço do petróleo ou na variação do dólar é repassada para as empresas.
A estratégia da Petrobras de acompanhar o mercado global para este combustível específico gera uma pressão imediata sobre as tarifas. Analistas do setor indicam que as empresas dificilmente conseguirão absorver os novos custos sem repassá-los ao consumidor final nas próximas semanas.
Cenário de incerteza
A instabilidade no Oriente Médio e os recentes ataques na região contribuem para a volatilidade do preço do barril de petróleo. Enquanto a gasolina e o diesel possuem mecanismos de amortecimento que retardam reajustes imediatos, o querosene de aviação segue uma dinâmica de mercado mais direta.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou recentemente que, embora não haja previsão de aumento imediato para a gasolina, a avaliação de preços é diária e medidas podem ser tomadas a qualquer momento. Para o setor aéreo, essa vigilância constante significa que o planejamento de custos de viagem para o passageiro brasileiro permanece sob forte ameaça de reajuste.
Reação do mercado
Representantes das companhias aéreas buscam diálogo com o governo e com a estatal para discutir alternativas que possam reduzir a dependência exclusiva da cotação internacional, especialmente diante do fato de a maior parte do combustível ser produzida em refinarias nacionais.
Por enquanto, a orientação para os viajantes é a antecipação na compra de bilhetes, uma vez que o cenário de curto prazo aponta para uma tendência de encarecimento das passagens para voos domésticos e internacionais.
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