
Crise hídrica afeta São Paulo
Reprodução/Band
Apesar das chuvas frequentes registradas no fim de tarde na capital paulista, os principais reservatórios que abastecem a Grande São Paulo seguem com níveis preocupantes. O Sistema Cantareira, o maior da região, opera abaixo dos 20% de sua capacidade (19,4%) há uma semana. A escassez hídrica já impacta diretamente o cotidiano de moradores e comerciantes, que enfrentam torneiras secas e baixa pressão na rede de distribuição.
A crise é agravada pelo fato de as precipitações recentes estarem concentradas em áreas urbanas, e não sobre as bacias hidrográficas. Segundo análise meteorológica apresentada no Jornal da Band, a situação seria distinta se o volume de chuva observado na cidade de São Paulo ocorresse sobre as represas.
Atualmente, outros mananciais também apresentam dados críticos: o Sistema Alto Tietê opera com 21,7% de sua capacidade, enquanto o Guarapiranga é o único que se mantém em patamares ligeiramente superiores, com 53%.
Impacto no comércio e redução de pressão
Desde agosto do ano passado, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) adotou a estratégia de reduzir a pressão da água para conter perdas na rede de distribuição. A medida ocorre diariamente por um período de 10 horas, entre as 19h e as 5h da manhã. A justificativa técnica é que, durante a noite, o consumo reduzido aumenta a pressão nos encanamentos, o que agrava microvazamentos subterrâneos.
No entanto, a restrição tem gerado incertezas para pequenos empresários. O proprietário de um restaurante, Gilmar de Andrade, relata que nos últimos quatro meses vive a dúvida se conseguirá abrir o estabelecimento no dia seguinte, uma vez que a água é indispensável para a limpeza e o preparo dos alimentos.
Situação semelhante ocorre no comércio de José Ferreira; mesmo possuindo caixa d'água, a pressão diminui gradualmente ao longo da tarde, esvaziando o reservatório antes do encerramento do expediente e forçando o uso de baldes para manter a operação.
A orientação para os consumidores é o uso consciente, uma vez que não há previsão imediata de recuperação significativa dos volumes nos sistemas Cantareira e Alto Tietê sem a ocorrência de chuvas volumosas diretamente sobre as áreas dos mananciais.
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