Jornal da Band

Crise na produção de leite: produtores protestam por preço mínimo nacional

Valor pago pelo litro está abaixo dos custos de produção, levando agricultores a bloquear rodovias no Paraná; estado é o segundo maior produtor do país

RODRIGO LEITE

17/10/2025 • 19:43 • Atualizado em 17/10/2025 • 19:43

Leite tem maior oferta e interrompe alta de preços

Leite tem maior oferta e interrompe alta de preços

Reprodução/Agro+

Produtores de leite do Paraná, o segundo maior estado produtor do Brasil, realizam protestos e bloqueios em rodovias estaduais em resposta à crise no setor, que enfrenta queda no preço pago pelo litro e aumento constante nos custos de produção. A mobilização se concentra no interior, como o bloqueio da BR-153 perto de Rio Bonito do Iguaçu.

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A queda no preço do leite, combinada à alta dos insumos, tem inviabilizado a atividade para pequenos e médios agricultores. Segundo Alceu Schulis, produtor de leite na região de Curitiba, a alta no preço da ração e do fertilizante, somada ao valor recebido atualmente, resulta em uma conta que “não fecha” e não deixa sobra de lucro.

Na propriedade de Schulis, 50 vacas produzem cerca de 1.200 litros de leite por dia.

A situação é classificada como insustentável pelos agricultores. O valor pago pelo litro de leite está abaixo de R$ 2,00, enquanto o custo dos insumos atinge R$ 2,40. A diferença tem provocado a indignação de produtores que vêm de uma longa tradição familiar. Ricardo Romanini, produtor de Ivaiporã (PR), expressa a preocupação de ter que interromper uma atividade que está na sua terceira geração – iniciada pelo avô, passada pelo pai e, agora, ameaçada.

O estado do Paraná é o segundo maior produtor de leite do país, ficando atrás apenas de Minas Gerais. De acordo com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaep), o preço pago ao produtor caiu mais de 30% desde o começo do ano. Em todo o território nacional, a cadeia leiteira sustenta cerca de 4 milhões de pessoas, com forte participação de pequenos e médios produtores.

Reivindicações e importação

Diante do cenário de custos crescentes e preços em queda, a principal demanda dos produtores é a criação de um preço mínimo nacional para o leite. Eles também buscam mais alternativas para a renegociação de dívidas.

O setor argumenta que o problema foi agravado pelo crescimento na oferta de leite neste ano, o que não foi acompanhado por um aumento equivalente no consumo. Outra grande reclamação dos produtores é a falta de regulamentação para a importação de leite em pó, que entra no Brasil com destaque da Argentina e do Uruguai.

Alexandre Leal dos Santos, presidente da Fetaep, afirma que esse leite importado é adquirido pelas indústrias a um custo significativamente mais baixo, o que tem impacto direto e negativo nos preços pagos aos produtores nacionais.

Até o momento, o Ministério da Agricultura não se manifestou sobre as possíveis ações ou medidas emergenciais para auxiliar o setor leiteiro. A expectativa é que os protestos continuem até que o governo apresente uma resposta concreta.

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