O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, detalhou o momento em que a instituição estatal detectou o colapso na fluidez financeira do Banco Master, de propriedade do empresário Daniel Vorcaro. Em depoimento, Costa revelou que a dificuldade de liquidez da instituição privada não foi um evento isolado, mas um problema sistêmico que afetou o repasse de valores de todas as carteiras de crédito negociadas entre os bancos.
Segundo o ex-gestor, o fluxo monetário entre as instituições funcionou regularmente por um período considerável. No entanto, o cenário mudou drasticamente quando o Banco Master passou a enfrentar dificuldades para honrar os repasses financeiros ao BRB, sinalizando o início de uma crise profunda na operação.
Crise sistêmica e interrupção de repasses
A declaração de Paulo Henrique Costa esclarece que o problema de liquidez não ficou restrito a um tipo específico de ativo. Questionado se o travamento dos repasses ocorria apenas nas carteiras de renda ou em todas as modalidades de crédito, o ex-presidente do BRB foi direto: "De todas".
Essa informação é considerada crucial para os investigadores da Polícia Federal, pois indica que a incapacidade de pagamento do Banco Master era generalizada. A interrupção desses repasses é o que teria acendido o alerta na governança do BRB, embora o Banco Central sustente que o monitoramento deveria ter identificado as irregularidades muito antes do travamento total do fluxo de caixa.
O confronto com a versão de Daniel Vorcaro
A revelação de Costa contradiz a narrativa de Daniel Vorcaro apresentada em acareações anteriores. O dono do Banco Master sustenta que a instituição foi diligente e que, até novembro, todos os resgates de clientes e compromissos foram honrados. Vorcaro minimiza o episódio, classificando-o como uma dificuldade pontual de planejamento diante de um "desfazimento de volume grande" de ativos.
Para a fiscalização do Banco Central, entretanto, o fato de o repasse de "todas as carteiras" ter sido afetado reforça a tese de que os ativos vendidos ao banco estatal — muitos deles classificados como "créditos podres" ou sem lastro — já não possuíam capacidade de gerar a liquidez prometida.
Investigações sobre títulos falsos
A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que a falta de liquidez relatada por Paulo Henrique Costa seja o resultado direto de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões. O esquema envolveria a venda de títulos falsos ao BRB, operados por empresas consolidadoras como a Tirreno, que não possuíam garantias reais na ponta final do crédito.
O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, enquanto o Banco Central conduz uma auditoria interna para entender por que a fiscalização falhou em detectar o represamento desses valores antes que o prejuízo ao banco público se consolidasse. Na próxima semana, o depoimento de Vorcaro na CPI Mista do INSS deve focar justamente na origem desses créditos e no motivo pelo qual o fluxo de pagamentos foi interrompido.
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