Jornal da Band

Crise no Master atingiu todas as carteiras do BRB, diz Paulo Henrique Costa

Paulo Henrique Costa afirma que interrupção de repasses financeiros atingiu todos os ativos, não se limitando apenas aos de renda; PF apura rombo bilionário

Da redação
DA REDAÇÃO

29/01/2026 • 20:29 • Atualizado em 29/01/2026 • 20:29

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, detalhou o momento em que a instituição estatal detectou o colapso na fluidez financeira do Banco Master, de propriedade do empresário Daniel Vorcaro. Em depoimento, Costa revelou que a dificuldade de liquidez da instituição privada não foi um evento isolado, mas um problema sistêmico que afetou o repasse de valores de todas as carteiras de crédito negociadas entre os bancos.

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Segundo o ex-gestor, o fluxo monetário entre as instituições funcionou regularmente por um período considerável. No entanto, o cenário mudou drasticamente quando o Banco Master passou a enfrentar dificuldades para honrar os repasses financeiros ao BRB, sinalizando o início de uma crise profunda na operação.

Crise sistêmica e interrupção de repasses

A declaração de Paulo Henrique Costa esclarece que o problema de liquidez não ficou restrito a um tipo específico de ativo. Questionado se o travamento dos repasses ocorria apenas nas carteiras de renda ou em todas as modalidades de crédito, o ex-presidente do BRB foi direto: "De todas".

Essa informação é considerada crucial para os investigadores da Polícia Federal, pois indica que a incapacidade de pagamento do Banco Master era generalizada. A interrupção desses repasses é o que teria acendido o alerta na governança do BRB, embora o Banco Central sustente que o monitoramento deveria ter identificado as irregularidades muito antes do travamento total do fluxo de caixa.

O confronto com a versão de Daniel Vorcaro

A revelação de Costa contradiz a narrativa de Daniel Vorcaro apresentada em acareações anteriores. O dono do Banco Master sustenta que a instituição foi diligente e que, até novembro, todos os resgates de clientes e compromissos foram honrados. Vorcaro minimiza o episódio, classificando-o como uma dificuldade pontual de planejamento diante de um "desfazimento de volume grande" de ativos.

Para a fiscalização do Banco Central, entretanto, o fato de o repasse de "todas as carteiras" ter sido afetado reforça a tese de que os ativos vendidos ao banco estatal — muitos deles classificados como "créditos podres" ou sem lastro — já não possuíam capacidade de gerar a liquidez prometida.

Investigações sobre títulos falsos

A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que a falta de liquidez relatada por Paulo Henrique Costa seja o resultado direto de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões. O esquema envolveria a venda de títulos falsos ao BRB, operados por empresas consolidadoras como a Tirreno, que não possuíam garantias reais na ponta final do crédito.

O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, enquanto o Banco Central conduz uma auditoria interna para entender por que a fiscalização falhou em detectar o represamento desses valores antes que o prejuízo ao banco público se consolidasse. Na próxima semana, o depoimento de Vorcaro na CPI Mista do INSS deve focar justamente na origem desses créditos e no motivo pelo qual o fluxo de pagamentos foi interrompido.

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