Jornal da Band

Custo da energia no Brasil pressiona famílias e empresas

Estudo da Abrace mostra que mais da metade da conta de luz não é consumo real, mas impostos, ineficiências e subsídios

Da redação
DA REDAÇÃO

20/09/2025 • 19:30 • Atualizado em 20/09/2025 • 19:30

A conta de luz dos brasileiros deve ficar, em média, 6,3% mais cara até o fim deste ano, alta superior à inflação projetada pelo mercado, que é de 4,85%. O levantamento é da Abrace, associação que representa grandes consumidores de energia, e revela que empresas e famílias devem desembolsar R$ 103,6 bilhões em 2023 para arcar com ineficiências do sistema, impostos e subsídios do governo ao setor elétrico.

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Mais da metade do valor pago na fatura não corresponde ao consumo direto de energia elétrica. Essa composição, somada à baixa qualidade do serviço em algumas regiões, amplia a insatisfação dos consumidores. Jean Ricardo Cornetto, morador da zona sul de São Paulo, relata enfrentar quedas constantes de energia em sua casa. Ele paga cerca de R$ 250 por mês, mas acredita que o gasto real de consumo não chega à metade do valor cobrado.

Custos indiretos impactam preços de alimentos e serviços

Segundo a Abrace, o peso da energia vai além da conta de luz. Dois terços do consumo energético de uma família estão embutidos em produtos e serviços. Mais da metade da tarifa de água e esgoto, por exemplo, está vinculada ao custo da eletricidade (53,5%). O mesmo ocorre com o preço do botijão de gás (53,1%). No setor de alimentos, a energia representa 31,6% do preço do cimento, 29,8% do pão francês, 28,3% do leite e derivados e 27,2% das carnes.

Para Victor Iocca, diretor de energia elétrica da Abrace, o modelo atual precisa de mudanças profundas. “Dois terços de tudo o que uma família consome em energia não está apenas na conta de luz, está embutido nos produtos e serviços. O setor precisa passar por uma grande reforma estrutural”, afirmou.

O uso frequente de termelétricas, com custo mais elevado, também contribui para o aumento dos preços. Com menos chuvas, os reservatórios das hidrelétricas operam em níveis mais baixos, o que obriga o acionamento dessas usinas.

A Abrace defende uma revisão no modelo de cobrança e maior eficiência no setor elétrico para reduzir o impacto na economia. Enquanto isso, consumidores residenciais e empresas seguem pagando caro não apenas pela energia que utilizam, mas também pelos custos adicionais do sistema.

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