Deputados federais gastaram mais de R$ 2 milhões de dinheiro público para impulsionar postagens na internet neste ano, valor quatro vezes maior do que o registrado na última eleição. O levantamento, do jornal O Estado de S. Paulo, mostra que, entre janeiro e junho, os 513 parlamentares da Câmara destinaram a quantia, retirada da cota parlamentar, para ampliar o alcance de publicações nas redes sociais.
Na Câmara, a "bancada da selfie" não é novidade, e pagar às plataformas para que uma publicação apareça na tela de mais pessoas é prática comum e usada legalmente pelos parlamentares. Neste ano, porém, por conta das eleições, os gastos foram acelerados.
O deputado Bruno Ganem (Podemos-SP) foi o recordista: só em janeiro, desembolsou mais de R$ 30 mil da cota com divulgação nas redes. Uma de suas publicações atingiu mais de 3 milhões de visualizações – oito vezes o número de seguidores dele na plataforma.
Outro caso é o do deputado Alceu Moreira (MDB-RS), cuja publicação também chegou a 3 milhões de visualizações, 14 vezes mais que seu total de seguidores, de 255 mil. Ele gastou R$ 12,8 mil com o impulsionamento.
O especialista Marcelo Crispo explica o efeito da prática: "Quando você posta algo, aparece em regra pra quem te conhece, mas quando você paga pra rede social funciona como uma catapulta pra impulsionar o conteúdo pra outras pessoas".
O impulsionamento sai da chamada cota parlamentar, verba pública destinada ao custeio do mandato. Cada deputado passou a custar cerca de R$ 2,5 milhões por ano à Câmara, montante que inclui verba de gabinete e a cota usada em despesas como a divulgação da atividade parlamentar.
Somente as plataformas da Meta, Instagram e Facebook, aceitam o impulsionamento de conteúdo político. A prática é legítima, mas, em ano eleitoral, as regras ficam mais rígidas para quem tenta um novo mandato.
A data limite para o uso de dinheiro público na compra de espaço nas redes foi encerrada no último sábado (4). A partir de agora, só os parlamentares que não vão concorrer podem continuar impulsionando publicações. Os candidatos em 2026 também só poderão pedir votos após o início da campanha, em 13 de agosto.
O especialista em Direito Eleitoral Alberto Rollo reforça os limites do uso da verba na reta eleitoral. "Lá na frente, quando houver a possibilidade de pedido explícito de voto, isso também não pode ser feito com verba de gabinete, que na verdade é dinheiro público", afirma.
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