Jornal da Band

Derrota na Câmara força governo a buscar novas receitas para cobrir rombo

Governo estuda taxar fintechs e cortar R$ 10 bi em emendas após rejeição de propostas; Lula critica bancos digitais

Alex Gusmão
ALEX GUSMÃO

09/10/2025 • 20:56 • Atualizado em 09/10/2025 • 20:56

Derrota na Câmara força governo a buscar novas receitas para cobrir rombo

Derrota na Câmara força governo a buscar novas receitas para cobrir rombo

Agência Brasil

A derrota do governo na Câmara dos Deputados, que rejeitou as propostas alternativas para compensar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), força o Ministério da Fazenda a buscar novas fontes de receita para fechar o orçamento do próximo ano e cumprir a meta fiscal.

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O clima no Palácio do Planalto é de "ressaca" após o revés, que abre um rombo previsto de mais de R$ 20 bilhões nas contas de 2026.

Estratégia do Governo

Já estão em análise no Ministério da Fazenda duas alternativas para cobrir o déficit:

  • Aumento da taxação sobre as fintechs (bancos digitais).
  • Corte de R$ 10 bilhões em emendas parlamentares.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a taxação das fintechs é um caminho em estudo. "Eu volto na quarta-feira para Brasília, aí sim eu vou reunir o governo para discutir como é que a gente vai propor que o sistema financeiro, sobretudo as fintechs, que tem fintech hoje maior do que banco, que elas paguem o imposto devido a esse país", declara o presidente.

A ordem no Planalto é reagir com cautela. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destaca que há tempo para avaliar as opções com cuidado, mas ressalta que todas as alternativas passarão pelo crivo da Presidência da República antes de serem oficializadas. "Nós temos tempo, nós vamos usar esse tempo para avaliar com muito cuidado cada alternativa," afirma Haddad.

Repercussão e próximo embate

A avaliação interna do governo é que a retirada de pauta da Medida Provisória, que tratava das compensações, foi resultado de uma articulação da oposição com apoio maciço do Centrão e de governadores. O ministro Fernando Haddad chegou a citar diretamente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um dos articuladores contra as medidas.

Tarcísio de Freitas reagiu às críticas, exigindo respeito e corte de gastos : "Tenha vergonha, Haddad. Respeite os brasileiros, cortem gastos, pensem que a gente precisa governar, a gente precisa sair do palanque, a gente precisa trabalhar e fazer a diferença, que é isso que a gente está fazendo aqui em São Paulo".

O governo já prevê um novo embate com a oposição na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), prevista para a próxima semana