Uma declaração da desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), gerou repercussão ao comparar a atual situação financeira da magistratura ao trabalho escravo. A fala ocorreu durante uma sessão oficial do tribunal, após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a extinção de 15 benefícios extras pagos a magistrados, conhecidos popularmente como "penduricalhos".
A decisão da Suprema Corte atingiu gratificações como auxílio-moradia, auxílio-combustível e auxílio-alimentação que não possuíam previsão legal. Em seu pronunciamento, a magistrada classificou a medida como motivo de "tensão enorme", afirmando que colegas estariam enfrentando dificuldades para arcar com despesas básicas de saúde.
Durante a sessão, Eva do Amaral Coelho afirmou que os magistrados caminham para não ter como pagar as próprias contas. "Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos porque não vão poder pagar consulta, outros estão deixando de tomar remédios", declarou a desembargadora. Ela concluiu afirmando que, em breve, a categoria estaria no "rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão".
Apesar das queixas sobre a perda de renda, os dados financeiros da magistrada apontam vencimentos significativos. Em março do ano passado, a desembargadora recebeu um valor líquido de mais de R$ 185 mil. Já em março deste ano, mesmo após as restrições impostas pelo STF, o salário líquido da magistrada foi de R$ 91 mil.
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