O acordo que está na mesa de Israel e Hamas trata apenas de um cessar-fogo de 60 dias. A questão mais complexa, que é o futuro da Faixa de Gaza, ainda não foi negociada de forma oficial. Israel deseja realocar palestinos para a fronteira com o Egito, que rejeitou a possibilidade.
A Europa e boa parte da comunidade internacional defendem a solução de dois Estados. Mas o governo israelense tem em mente um projeto bastante polêmico: a realocação forçada de palestinos para outros países da região.
A proposta foi criticada internacionalmente e classificada como limpeza étnica por diversos órgãos humanitários e pela ONU. Em Gaza, moradores também rejeitam o plano.
“Essa é nossa terra. Para quem a gente a deixaria e por que a gente sairia? Que tipo de incentivos poderia convencer palestinos a migrar para outro país e se tornar estranhos lá?", questionou um palestino.
Egito e Jordânia já reiteraram que não vão aceitar refugiados vindos da Faixa de Gaza.
Nas últimas 24 horas, a Faixa de Gaza voltou a ser alvo de intensos bombardeios. Mais de cem palestinos foram massacrados - alguns quando esperavam por ajuda humanitária.
Os ataques quase diários de Israel também devastaram o sistema de saúde do território. A ONG Médicos Sem Fronteiras registrou a morte de mais um profissional esta semana - já são doze desde o início dos bombardeios.
Após meses de impasse, Hamas e Israel parecem mais próximos de um cessar-fogo. Os países mediadores - Catar, Egito e Estados Unidos - costuraram os termos centrais do acordo:
- 60 dias de cessar-fogo imediato
- Retirada parcial das tropas israelenses
- Entrada massiva de ajuda humanitária
- Retorno gradual de palestinos deslocados
- Troca de reféns por prisioneiros palestinos
- Futuras discussões sobre uma trégua permanente
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