Jornal da Band

Quem é a atleta que trocou EUA pela China e despertou ira de vice de Trump

Esquiadora de 22 anos, maior medalhista do estilo livre, é acusada de se aproveitar da estrutura americana após trocar de federação aos 15

Por Redação
REDAÇÃO

24/02/2026 • 20:35 • Atualizado em 24/02/2026 • 20:35

Eileen Gu, de 22 anos, é a maior medalhista olímpica do esqui estilo livre

Eileen Gu, de 22 anos, é a maior medalhista olímpica do esqui estilo livre

Hannah Mckay/Reuters

A esquiadora Eileen Gu, de 22 anos, maior medalhista olímpica do esqui estilo livre, voltou ao centro de uma disputa política entre Estados Unidos e China ao ser criticada pelo vice-presidente americano J.D. Vance por competir sob a bandeira chinesa durante os Jogos de Inverno de Milão-Cortina, em 2026.

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Vance argumentou que a atleta, que nasceu e cresceu na Califórnia, se beneficiou da estrutura esportiva e educacional dos Estados Unidos e, por isso, deveria representar o país que financiou sua formação nas competições internacionais.

Segundo o político, ao optar pela China, Gu envia uma mensagem equivocada a jovens norte-americanos e reforça a rivalidade entre as duas potências.

A resposta da campeã foi imediata. Em declaração recente, ela afirmou que as críticas têm motivação política e resumiu a polêmica com uma frase dura: "Incomoda eu estar ganhando, os Estados Unidos odeiam a China".

Eileen Gu, de 22 anos, é a maior medalhista olímpica do esqui estilo livre (foto: Hannah Mckay/Reuters)

Eileen Gu, de 22 anos, é a maior medalhista olímpica do esqui estilo livre (foto: Hannah Mckay/Reuters)

Carreira meteórica e imagem global

Filha de mãe chinesa e pai americano, Eileen Gu nasceu em São Francisco e começou a competir ainda na adolescência. Aos 22 anos, ela já soma seis medalhas olímpicas no esqui estilo livre, sendo três de ouro e três de prata, e é considerada o principal nome da modalidade.

Dentro das pistas, Gu se notabilizou por manobras de alto grau de dificuldade, que executa com consistência. Fora delas, transformou a imagem de atleta em marca global: estrelou campanhas de grandes empresas e acumulou uma fortuna estimada em cerca de R$ 250 milhões.

Para a esquiadora, o esporte é também ferramenta de autoconfiança. "O poder do esporte é incomparável porque se trata de evidência, não de afirmação. Você não fica dizendo para si mesmo 'ah, eu consigo lidar com a pressão', 'ah, eu sou incrível'. Você faz isso repetidamente", declarou.

Troca de federação aos 15 anos

Nascida e criada na Califórnia, Gu competiu pela equipe dos Estados Unidos nas categorias de base, mas aos 15 anos aceitou uma proposta do governo chinês e passou a defender a China em eventos internacionais.

Na época, ela afirmou que o objetivo era inspirar jovens atletas chineses para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 2022. Na capital chinesa, conquistou duas medalhas de ouro e uma de prata, desempenho que a projetou definitivamente para o mundo.

Política e rivalidade no centro da disputa

Com o novo protagonismo em Milão-Cortina, a escolha de Gu voltou ao debate em Washington. Segundo aliados de Vance, o caso simboliza a preocupação do governo com a influência chinesa em áreas como esporte, tecnologia e educação.

Na visão da atleta, porém, resultados esportivos não deveriam ser usados como instrumento político. Ela costuma defender que o alto rendimento pode aproximar culturas e gerar admiração mútua entre torcedores de países rivais.

Apesar da pressão, Gu segue competindo pela China e reforça que se vê como uma ponte entre as duas nações. A disputa em torno de sua trajetória, no entanto, indica que o impacto de suas vitórias vai além das pistas de neve.