Em um cenário hipotético analisado por especialistas, o Irã inicia um processo de transição política após o assassinato do líder supremo Ali Khamenei em Teerã, em ofensiva recente que também teria matado cerca de 50 autoridades do regime, entre elas o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, segundo o governo dos Estados Unidos.
Na vida real, Khamenei permanece à frente do país até a data desta publicação, mas o exercício projeta como funcionaria o mecanismo de sucessão previsto pela Constituição iraniana em caso de morte ou incapacidade do líder supremo.
Conselho provisório assume comando
No cenário descrito, o governo anuncia a formação de um conselho provisório para gerir o país até a escolha definitiva do novo líder. O grupo reúne o presidente Massoud Pezeshkian, de ala reformista, o chefe do Judiciário Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, associado à linha dura, e o aiatolá Alireza Arafi, responsável pelo comando religioso interino.
Segundo essa simulação, Arafi acumula a função de líder supremo interino enquanto o conselho coordena a transição com outras instituições do regime, como a Guarda Revolucionária e o Parlamento. A Constituição prevê a escolha de um novo líder em até três meses, prazo que poderia ser estendido em razão da instabilidade provocada pelos ataques.
Disputa pela sucessão no Irã
A disputa pela sucessão dominaria os bastidores do poder. O exercício parte do fato de que Ali Khamenei nunca indicou publicamente um favorito, abrindo espaço para diferentes correntes. Entre os nomes mais citados estariam o próprio aiatolá Alireza Arafi e o chefe do Judiciário, Mohseni-Ejei, ambos integrantes do conselho de transição.
Também figurariam na lista o clérigo Mohammad Marbe Gueri, conhecido por posições fortemente anti-Ocidente, Mojtaba Khamenei, filho do líder, ligado à Guarda Revolucionária e desaparecido desde os ataques, e Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, associado a setores mais moderados. O desfecho, nesse cenário, dependeria da correlação de forças entre militares, clero e facções políticas dentro do regime.
Poderio militar em foco
Mesmo após perdas políticas, o Irã seguiria como uma das principais forças militares do mundo, ocupando a 16ª posição em rankings globais. O país dispõe de cerca de 610 mil militares na ativa e mantém um vasto arsenal de mísseis de curto e médio alcance, estimado em 3 mil unidades capazes de alcançar alvos na Europa.
O Exército iraniano também operaria quase 4 mil drones, além de tanques, aeronaves e navios. Oficialmente, o Irã não possui armas nucleares, de acordo com o monitoramento da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU. Imagens recentes divulgadas pela mídia estatal mostrariam túneis subterrâneos repletos de mísseis e drones prontos para lançamento, em sinal de prontidão militar.
Clima tenso nas ruas de Teerã
Na capital Teerã, o cenário projeta forte presença de tropas e veículos blindados. Manifestações de luto e atos contra Estados Unidos e Israel ocorreriam com autorização das autoridades, enquanto qualquer tentativa de celebrar a morte de Khamenei seria reprimida com violência pelas forças de segurança.
De acordo com a narrativa, a ofensiva que matou a cúpula do regime teria deixado quase 50 autoridades iranianas entre as vítimas, balanço atribuído ao governo americano. Aliados de Teerã, como Rússia e China, reagiriam com críticas. O presidente russo, Vladimir Putin, classificaria a morte de Khamenei como um assassinato cruel, enquanto Pequim falaria em grave violação da soberania iraniana.
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