Jornal da Band

Em revés a Trump, Suprema Corte dos EUA preserva cidadania por nascimento

Decisão por 6 a 3 derruba decreto presidencial, mas dia também trouxe vitórias ao governo, como o aval ao veto a atletas trans em equipes femininas

EDUARDO BARÃO

30/06/2026 • 20:59 • Atualizado em 30/06/2026 • 21:02

Em um dia de vitórias e derrotas para Donald Trump, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu manter o direito à cidadania americana por nascimento para filhos de imigrantes. No mesmo conjunto de decisões, autorizou o veto a atletas trans em equipes esportivas femininas.Por 6 votos a 3, os juízes mantiveram o entendimento de que a Constituição garante a cidadania automática a praticamente todas as crianças nascidas em território americano. A Corte já havia analisado o tema em 2025, então sem decidir sobre o mérito da ordem de Trump.

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O mecanismo tinha sido barrado por decreto presidencial, numa tentativa de impedir que filhos de imigrantes ilegais, ou com visto temporário, recebessem esse direito automaticamente.

Trump chamou a decisão de lamentável e disse que poderá compensá-la facilmente por meio de leis, em um trabalho que deve começar hoje. Em publicação, o presidente conclamou os republicanos no Congresso a aprovar legislação para restringir a cidadania por nascimento, prometendo apoio "completo e total".

A aprovação, porém, tende a ser difícil: segundo agências internacionais, pesquisas de opinião indicam forte apoio público à prática, e a própria maioria da Corte sinalizou que seria necessária uma emenda constitucional para alterá-la.

O veredito representa um revés importante para Trump, mas não altera o restante de sua estratégia de endurecimento da política migratória. Desde o início do segundo mandato, o governo ampliou operações contra imigrantes e afirma já ter deportado mais de 605 mil pessoas em situação irregular.

Em outra derrota, a Suprema Corte decidiu preservar a independência do Federal Reserve, o Banco Central americano, e afirmou que o presidente não pode demitir integrantes do conselho. É uma resposta à ofensiva de Trump contra a diretora do Fed Lisa Cook, primeira mulher negra a ocupar o cargo.

Na sequência de decisões, também houve posições mais favoráveis à agenda do governo. Os ministros ampliaram o poder do presidente sobre agências federais independentes, facilitando a substituição de dirigentes desses órgãos e permitiram que estados mantenham leis que restringem a participação de mulheres e meninas trans em competições esportivas femininas.

Trump considerou o resultado uma grande vitória e disse que isso acaba com uma situação que classificou de "ridícula, de homens jogando em esportes femininos".