Jornal da Band

Embaixador diz que brasileiros deixaram Irã em segurança durante conflito

André Guimarães Veras relata que bombardeios uniram população iraniana e descreve esforço de limpeza imediata após ataques para manter "normalidade"

Da redação
DA REDAÇÃO

09/04/2026 • 21:34 • Atualizado em 09/04/2026 • 21:34

Embaixador diz que brasileiros deixaram Irã em segurança durante conflito

Embaixador diz que brasileiros deixaram Irã em segurança durante conflito

Majid Asgaripour/WANA/Reuters

O embaixador do Brasil em Teerã, André Guimarães Veras, afirmou em entrevista ao Jornal da Band que todos os cidadãos brasileiros que manifestaram o desejo de deixar o Irã conseguiram sair do país em segurança. Segundo o diplomata, o grupo era composto majoritariamente por pessoas sem vínculos permanentes com o território iraniano, que realizavam atividades esporádicas. A saída ocorreu tanto por meios próprios quanto com o auxílio da embaixada e de empregadores.

Compartilhar

Apesar do fechamento do espaço aéreo durante os períodos mais críticos da guerra, as rotas terrestres permaneceram operacionais. O embaixador explicou que a retirada foi realizada principalmente pelo norte do país, utilizando as fronteiras com a Armênia e a Turquia. A logística permitiu que o fluxo de estrangeiros e residentes temporários fosse mantido mesmo diante das restrições de voos internacionais.

"Normalidade" sob bombardeio e união nacional

Sobre o cotidiano na capital iraniana, Veras descreveu um cenário de resiliência e rápida resposta governamental. De acordo com o embaixador, o governo local realiza um trabalho eficiente de limpeza e cobertura de prédios atingidos logo após os bombardeios, o que mascara os sinais visíveis da guerra no ambiente urbano.

"A vida passa como se tivesse uma certa normalidade. Mercados estão abertos e não faltam produtos", relatou o diplomata, ressaltando que o impacto é sentido prioritariamente pelo som das explosões e pela fumaça.

André Guimarães Veras destacou ainda que as ameaças externas à infraestrutura física do país — como usinas de energia, depósitos de água e estradas — acabaram provocando um efeito de coesão social entre os iranianos. Para o embaixador, a presença de um inimigo externo e o risco de dizimação do povo uniram a população em torno da defesa nacional, um padrão que ele aponta como recorrente na história em momentos de crise extrema.