Uma empresa de turismo investigada por estelionato e com um histórico de reclamações e processos na Justiça continua atuando no mercado e oferece pacotes de viagem para a final da Copa Libertadores da América, em Lima, no Peru.
A Outsider Tour, que opera desde 2022, é alvo de denúncias por prejuízos, vouchers falsos e pacotes não entregues, e seu proprietário, o empresário Fernando Sampaio, foi indiciado por estelionato.
A agência de viagens, mesmo endividada e com as diversas denúncias, oferece pacotes para a final da Libertadores e também para a Champions League do próximo ano, em Budapeste, na Hungria. Os valores dos pacotes chegam a R$ 64 mil, incluindo acomodação, passagens aéreas e os ingressos para os jogos.
O empresário Fernando Sampaio, dono da agência, não quis gravar entrevista após ser contatado pela reportagem do Jornal da Band. Ele afirmou apenas que trabalha para que os erros não se repitam.
Histórico de processos e dificuldades na Justiça
O histórico da Outsider Tour é marcado por relatos de clientes que tiveram prejuízos. O advogado Fernando Silvestre é uma das vítimas. Ele relata ter perdido R$ 60 mil no ano passado ao comprar quatro ingressos para a final da Champions League, em Londres.
O cancelamento da entrega dos ingressos ocorreu faltando apenas uma hora para o jogo. “Faltando uma hora para o jogo, avisaram. Não vai entregar mais nada. A gente até tentou arrumar o outro ingresso para ali na correria, não deu certo, tá? Não deu certo. Eh, pô, uma hora antes de avisar o jogo é uma sacanagem. Né?”, relata Fernando Silvestre.
Outro cliente lesado, o professor Wellington Frizarin Silva, pagou mais de R$ 12 mil para assistir à final da Liga dos Campeões deste ano, na Alemanha. Faltando menos de uma semana para o jogo, a viagem foi cancelada pela agência. “A Outsider me ligou, eh falando que o meu, a minha viagem tinha sido cancelada por conta de problemas com fornecedores, e essa é uma desculpa que eles que eles dão para todo mundo”, conta Wellington Frizarin Silva.
Em apenas dois anos, a empresa já acumula mais de 200 queixas em um site de reclamações. Somente no Rio de Janeiro, a Outsider é ré em vários processos, mas a Justiça enfrenta dificuldades para intimar o dono da agência. Muitas vítimas procuraram a Polícia Civil.
O delegado Neilson dos Santos afirma que a polícia está reunindo todas as ocorrências na 16ª DP, com o objetivo de realizar uma “investigação em bloco”. A intenção é que o inquérito seja encaminhado ao Ministério Público de forma mais robusta.
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