Jornal da Band

Empresária que envolveu Ronaldinho Gaúcho em fraude é presa após seis anos

Acusada de falsificar documentos e chefiar organização criminosa, Dalia López se entregou em Assunção alegando temer pela própria vida

TIAGO PRUDENTE

03/04/2026 • 21:25 • Atualizado em 03/04/2026 • 21:25

A polícia paraguaia prendeu, em Assunção, a empresária Dalia López, de 55 anos, apontada como a mentora do esquema de falsificação de documentos que levou o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto de Assis Moreira, à prisão em 2020. Foragida há seis anos, López foi localizada em uma mansão na capital paraguaia, onde, segundo documentos encontrados no imóvel, residia há mais de um ano.

Compartilhar

A empresária afirmou às autoridades que decidiu se entregar por temer pela própria vida, embora não tenha detalhado a origem das supostas ameaças. Durante a operação na residência, os agentes apreenderam o equivalente a R$ 1,5 milhão em notas de dólares e guaranis.

O esquema e a conexão com Ronaldinho Gaúcho

O caso ganhou repercussão mundial em 2020, quando imagens de Ronaldinho Gaúcho jogando futebol com detentos em uma prisão paraguaia viralizaram. O craque e o irmão ficaram detidos por 32 dias e passaram outros cinco meses em prisão domiciliar em um hotel, até que um acordo de aproximadamente R$ 1 milhão encerrou o processo contra a dupla.

Segundo as investigações, Ronaldinho viajara ao Paraguai para participar de eventos beneficentes organizados por Dalia López. A suspeita do Ministério Público paraguaio é de que a empresária pretendia usar a imagem do jogador — que seria o rosto de uma instituição de caridade fundada por ela — para realizar operações de lavagem de dinheiro.

Acusações de organização criminosa e tráfico

As autoridades paraguaias classificam Dalia López como a líder de uma estrutura criminosa complexa. Além da falsificação de documentos e associação criminosa, ela é investigada por comandar uma organização que movimentou cerca de 400 milhões de dólares entre os anos de 2015 e 2020.

O esquema operado pela empresária envolveria:

  • Utilização de empresas de fachada para ocultar recursos;
  • Prática sistemática de lavagem de dinheiro;
  • Crimes de sonegação fiscal;
  • Possíveis conexões com o tráfico internacional de drogas.

A prisão de López é considerada um passo crucial para desvendar a extensão total das atividades ilícitas e identificar outros envolvidos na rede que utilizou documentos falsos para ingressar no país.