Jornal da Band

Entre escombros e calor de 40ºC: Como foi a missão brasileira na Venezuela

Após 15 dias de operações, 86 brasileiros voltam ao país com sentimento de dever cumprido

Da redação
DA REDAÇÃO

13/07/2026 • 21:42 • Atualizado em 13/07/2026 • 22:07

A cidade de La Guaira, na Venezuela, permanece irreconhecível semanas após ter sido atingida por dois terremotos num intervalo de menos de um minuto. Em meio à devastação, com montanhas de escombros, risco constante de novos desabamentos e temperaturas que beiram os 40ºC, uma missão de solidariedade internacional mobilizou 31 países, incluindo o Brasil.

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A delegação brasileira, composta por 86 profissionais da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, trabalhou ininterruptamente durante 15 dias nas operações de resgate. Entre os líderes da missão estava a major Daniela, veterana de outras catástrofes, como o terremoto na Turquia em 2023. A rotina era exaustiva, com turnos que chegavam a 50 horas de trabalho contínuo.

A técnica de resgate exigia precisão e paciência: "Tudo em volta tem que estar num silêncio absoluto porque muitas vezes a pessoa que está viva lá dentro ela só tem condições de raspar o dedo no concreto", relatou a major. Na Venezuela, as equipes enfrentaram desafios estruturais distintos dos vistos na Turquia, observando padrões de lajes e ferragens muito maiores nos edifícios tombados.

Além do resgate físico

O trabalho brasileiro não se limitou à busca por sobreviventes. Os profissionais realizaram quase uma centena de operações, que incluíram a avaliação técnica de prédios atingidos para garantir aos moradores a segurança de que as estruturas não voltariam a cair.

Para além da engenharia e do salvamento, o suporte psicológico revelou-se fundamental. Com um saldo trágico de quase 4.500 mortos, os sobreviventes enfrentam traumas como insônia e pesadelos. Segundo os relatos das equipes, "a simples conversa trazia a pessoa à vida, trazia ela à calma novamente".

A volta para casa

Quinze dias após o início dos trabalhos, os brasileiros desembarcaram de volta ao Brasil carregando um misto de sentimentos. Embora a tragédia tenha deixado marcas profundas tanto em quem ficou quanto em quem ajudou, o sentimento de orgulho prevalece pelo impacto positivo gerado em centenas de famílias venezuelanas que, em meio às ruínas, buscam forças para reconstruir as suas vidas.