Jornal da Band

Especialista alerta para riscos da Inteligência Artificial na educação

Intelectual brasileira destaca que a educação ética e responsável é a chave para lidar com a IA e critica o uso da tecnologia na produção de textos por estudantes

Sérgio Gabriel
SÉRGIO GABRIEL

30/11/2025 • 19:19 • Atualizado em 30/11/2025 • 19:19

A velocidade com que a Inteligência Artificial (IA) avança acende um sinal de alerta para a professora e intelectual brasileira Lúcia Santaella. Autora de mais de 50 livros sobre semiótica e comunicação, Santaella dedicou sua mais recente obra a discutir o desafio ético e criativo imposto pela IA, destacando a educação como o principal campo de batalha.

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Santaella afirma que a IA é um jogo cujas regras a sociedade precisa aprender. A chave para lidar com essa nova realidade é uma educação ética e responsável, conforme expressa a professora.

A crescente presença da IA no cotidiano se estende de processos imperceptíveis até a atuação em linhas de produção industriais. No entanto, o seu uso indevido no ambiente acadêmico tem levado algumas instituições a tomar medidas de restrição.

Medidas de Escolas e a Função do Professor

Para evitar que estudantes recorram à Inteligência Artificial na produção de trabalhos, algumas escolas, como uma em São Paulo, decidiram que todas as redações devem ser feitas, exclusivamente, em sala de aula. O procedimento exige que os alunos fiquem longe de celulares e computadores.

A medida foi adotada porque o avanço da tecnologia tornou cada vez mais difícil para os professores descobrirem quando os alunos estavam recorrendo a computadores para gerar textos. Com a nova regra, os estudantes são forçados a exercitar a criatividade própria.

Santaella ressalta a importância do professor como monitor da dose certa de IA nos estudos, focando no fator humano. A intelectual destaca que "o professor transmite é empatia", algo que o computador não possui. Ela complementa que o sistema de IA é apenas uma "estatística probabilística" que simula e finge que sente, mas não tem corpo nem empatia, apesar de produzir uma linguagem similar à humana.

IA como ferramenta, não inimiga

Apesar dos alertas, Lúcia Santaella enfatiza que a IA não é uma inimiga, mas sim parte integrante do mundo moderno. O segredo é saber utilizá-la corretamente.

A professora sugere que a sociedade deve aprender com os artistas, que são mestres em usar a máquina a seu favor sem entregar todo o seu potencial criativo à tecnologia. Ela explica que, embora a IA possa copiar estilos e imitar obras de arte com perfeição, a criação genuína é uma história diferente. Para Santaella, os artistas servem como um farol para o uso consciente da tecnologia.

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