Jornal da Band

EUA e Irã avançam em negociações nucleares sob tensão no Estreito de Ormuz

Apesar de entendimento sobre princípios centrais em reunião indireta, exercícios militares e ameaças no Estreito de Ormuz elevam o risco de conflito na região

EDUARDO BARÃO

17/02/2026 • 20:44 • Atualizado em 17/02/2026 • 20:44

Os governos dos Estados Unidos e do Irã realizaram uma nova rodada de negociações em Genebra, na Suíça, visando estabelecer limites ao programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções econômicas. O encontro ocorreu de forma indireta, contando com mediação internacional para aproximar as exigências da Casa Branca e as concessões do regime de Teerã.

Compartilhar

Após o encerramento da reunião, o Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que houve entendimento sobre princípios fundamentais. Embora o chanceler iraniano tenha sinalizado que o caminho para um acordo foi iniciado, ele ressaltou que a redação de um texto final ainda é um objetivo distante. Em pronunciamento paralelo, o presidente iraniano reafirmou que o país não abrirá mão do direito de manter um programa nuclear voltado estritamente para fins civis e pacíficos.

Exercícios militares e bloqueio em rota estratégica

Apesar do progresso diplomático citado pelos negociadores, a situação no campo militar apresenta sinais de agravamento. A realidade na região é marcada por ameaças mútuas e uma crescente presença de forças armadas. Nesta terça-feira, o Irã realizou exercícios militares de larga escala no Estreito de Ormuz, ponto vital para o escoamento global de petróleo.

Durante as manobras, partes do estreito foram temporariamente fechadas para a realização de disparos reais de mísseis. O líder supremo do país, Ali Khamenei, emitiu advertências diretas ao Ocidente, afirmando que navios de guerra americanos podem se tornar alvos caso ocorra qualquer ataque ao território iraniano.

Pressão do governo americano e dissuasão

A resposta de Washington à postura iraniana tem sido o reforço da presença militar no Oriente Médio. O governo de Donald Trump ordenou o deslocamento de forças navais, incluindo porta-aviões, para a região como estratégia de pressão e dissuasão.

Donald Trump mantém uma postura rígida, afirmando que não descarta o uso da força militar para garantir que o Irã aceite restrições mais amplas. Além da questão nuclear, a Casa Branca exige que o país asiático aceite limitações severas também ao seu programa de mísseis balísticos, ponto que segue como um dos maiores impasses para a conclusão de um tratado definitivo.