Donald Trump disse que "não precisa do Brasil", mas não é bem assim. Os americanos compram diversos produtos importantes no país, que podem ficar mais caros lá se tarifas comerciais aumentarem.
Em 2024, mais de 40 milhões de toneladas de produtos brasileiros foram consumidos pelos americanos. O número representa um recorde. A afirmação de Donald Trump, "os Estados Unidos não precisam do Brasil", não tem respaldo nos números da troca comercial entre os dois países, que cresceu 8% no ano passado.
As empresas dos Estados Unidos não têm capacidade para atender toda a demanda da população americana, por isso eles precisam comprar produtos e serviços de outros países. E o Brasil é um fornecedor relevante em vários setores.
O aço brasileiro, por exemplo, impulsiona a indústria americana, tanto da construção civil como de máquinas e veículos. Os aviões fabricados pela Embraer, de médio porte, são muito requisitados para rotas regionais do país.
A carne bovina e o café produzidos no Brasil também tem forte presença na mesa dos americanos. E o petróleo bruto extraído pela Petrobras garante parte do abastecimento de combustível nos Estados Unidos. Deixar de comprar do Brasil poderia gerar inflação por lá, ainda que haja outros fornecedores.
“Como isso não ocorre de uma hora para a outra, esses preços tendem a subir até que o mercado se estabilize. E não é fácil achar substitutos. Então isso pode ser um risco para o mercado americano e para o consumidor na ponta final desse processo”, disse Pedro Briter, professor de relações internacionais da FGV.
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