Jornal da Band

Expressões faciais podem prever riscos de depressão antes dos sintomas

Pesquisas no Japão e no Brasil utilizam tecnologia para decifrar sinais sutis no rosto que revelam transtornos mentais e ansiedade, auxiliando no diagnóstico precoce

Giba Smaniotto
GIBA SMANIOTTO

25/12/2025 • 16:15 • Atualizado em 25/12/2025 • 16:15

Resumo

Um estudo japonês revelou que expressões faciais, especialmente microexpressões, podem indicar riscos de depressão e outras doenças psíquicas antes mesmo de sintomas evidentes aparecerem, utilizando um software avançado de reconhecimento facial durante consultas médicas.

Pesquisadores identificaram que pessoas com depressão subclínica apresentam menos expressividade e menos positividade, além de sinais de medo e outros comportamentos faciais ligados à ansiedade, sendo a análise feita de forma automática e detalhada pelo programa.

Pesquisas semelhantes são conduzidas no Brasil, como na Unicamp, onde especialistas como a psiquiatra Jennyfer Domingues e o psicólogo Caio Ferreira utilizam softwares para interpretar expressões faciais e associá-las ao sofrimento emocional, contribuindo para diagnósticos mais precisos e início precoce de tratamentos em saúde mental.

Um novo estudo realizado no Japão revelou que as expressões faciais podem ser uma chave fundamental para prever riscos de depressão e outras doenças psíquicas. Segundo a pesquisa, sinais sutis do rosto humano — muitas vezes imperceptíveis a olho nu — escondem um mundo de sentimentos e podem ajudar a identificar doenças ainda em fase inicial.

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Embora emoções como tristeza, alegria e raiva sejam facilmente identificadas, são as chamadas "expressões sutis" que intrigaram os pesquisadores. O estudo aponta que essas microexpressões nem sempre significam sentimentos simples e podem ser indicadores cruciais de saúde mental.

Tecnologia a serviço da saúde mental

Para decifrar esse mistério, foi utilizado um software avançado de reconhecimento facial. O funcionamento é prático: enquanto o paciente conversa com o médico, o programa grava o rosto e, ao final da consulta, gera automaticamente um relatório sobre as expressões faciais.

A grande descoberta do estudo japonês é a capacidade de identificar a doença em sua fase subclínica, ou seja, quando o paciente ainda não apresenta sintomas evidentes. O software detectou padrões específicos:

  • Pessoas com depressão subclínica foram rotuladas como "menos expressivas" e "menos positivas";
  • A tecnologia identificou comportamentos faciais que remetem a uma expressão de medo.
  • Além da depressão, a pesquisa também identificou sinais físicos ligados a transtornos mentais e ansiedade.

Estudos no Brasil

O Brasil também está na vanguarda desse tipo de investigação. Um estudo similar está sendo desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. A pesquisa nacional investiga como o rosto pode revelar o sofrimento emocional, muitas vezes contradizendo a fala do paciente.

"Apesar de ele falar que 'está tudo bem', o corpo diz o contrário. E é justamente essa avaliação do que não é dito que é super importante para a gente", afirma Jennyfer Domingues, psiquiatra e pesquisadora.

Ela ressalta que essa análise é feita em conjunto com outros fatores clínicos para um diagnóstico preciso.

Entendendo a musculatura da emoção

O psicólogo Caio Ferreira, que estuda expressões faciais há 10 anos, desenvolveu um software que ajuda a entender o funcionamento emocional ligado aos movimentos da musculatura do rosto. Segundo o especialista, decifrar as expressões alheias pode se tornar um caminho para o autoconhecimento.

Ferreira relata uma experiência pessoal para ilustrar a eficácia do método. Ao acordar sentindo uma inquietação que julgava ser raiva, ele utilizou o espelho para analisar a própria face.

"Vi que a parte interna da minha sobrancelha estava elevada. E eu pensei: 'Eu não estou sentindo raiva, estou sentindo tristeza'. Ali fez sentido a palavra 'emoção' com o meu estado interno naquele momento", relata o psicólogo.

Essas inovações tecnológicas prometem abrir novas portas para a psiquiatria, permitindo que tratamentos sejam iniciados mais cedo através da leitura de sinais que, até então, eram invisíveis.

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