Jornal da Band

Fachin lidera esforço por novo código de conduta para ministros do STF

Ministro do Supremo Tribunal Federal busca implementar regras mais rigorosas, inspiradas no judiciário da Alemanha, para garantir independência e integridade

Da redação
DA REDAÇÃO

08/12/2025 • 20:19 • Atualizado em 08/12/2025 • 20:19

O presidente do Supremo, Luiz Edson Fachin

O presidente do Supremo, Luiz Edson Fachin

Nelson Jr./ STF

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), costura nos bastidores a criação de um novo código de conduta voltado especificamente para os ministros da Corte. A iniciativa visa preencher uma lacuna no regramento atual, que hoje direciona um Código de Ética apenas para os servidores do STF, sem incluir os próprios magistrados.

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A intenção de Fachin é implantar no Supremo um código inspirado no modelo adotado pelo judiciário da Alemanha. Nesse sistema, um juiz pode aceitar presentes ou benefícios somente se essa aceitação não colocar em dúvida a sua independência e integridade. Os estudos para a mudança de regramento no STF tiveram início logo após a posse do novo presidente do Supremo, em setembro, e a ideia é criar uma comissão específica para a implementação da novidade.

A urgência para a discussão de um novo código de conduta ganhou destaque após um evento envolvendo um dos membros da Corte na semana passada. O ministro Dias Toffoli viajou para Lima, no Peru, a fim de assistir à final da Copa Libertadores da América. A viagem foi feita em um jatinho particular, e o ministro pegou carona com o advogado de um dos diretores do Banco Master.

Toffoli é relator de um processo do Banco Master no Supremo. No entanto, o ministro informou a interlocutores que, no momento em que embarcou, ainda não havia sido sorteado para atuar como relator do caso. O ministro também ressaltou que não conversou sobre o assunto em questão com o advogado, Augusto Arruda Botelho, em nenhum momento da viagem.

Debate sobre Conduta e Independência

O episódio envolvendo a viagem de Dias Toffoli reforça a discussão interna sobre a necessidade de formalizar as diretrizes de conduta para os ministros, especialmente em situações que envolvem o recebimento de benefícios ou o contato com partes envolvidas em processos julgados pelo Tribunal.

A proposta de Edson Fachin busca estabelecer critérios mais claros e rigorosos, seguindo o padrão internacional, para garantir que todas as interações dos ministros estejam em conformidade com os princípios da imparcialidade e da lisura do Poder Judiciário. A implementação de um código específico para magistrados é vista como um passo para aumentar a transparência e a confiança da sociedade na mais alta corte do país.

O desenvolvimento do novo regramento deve ser acompanhado de perto pelos demais ministros do STF, que precisam chegar a um consenso sobre as regras que irão nortear as relações e a conduta dos membros da Corte fora do ambiente de julgamento. O Código de Ética atual, que abrange apenas os servidores, é considerado insuficiente para a natureza das responsabilidades e do poder exercido pelos ministros.

A criação da comissão para implementar as novas regras é o próximo passo esperado. O objetivo é que o regramento detalhe as situações aceitáveis e inaceitáveis de recebimento de presentes, convites, caronas ou outros benefícios, estabelecendo limites para preservar a percepção pública da independência do STF.

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