Uma falha na maioria das estações meteorológicas do Rio Grande do Sul impediu a antecipação precisa do volume e da localização das fortes chuvas que atingiram o estado. Mais de 200 municípios gaúchos ainda tentam se recuperar dos estragos provocados pelas cheias.
Um levantamento realizado por pesquisadores revelou que, nos dias que antecederam os temporais, apenas 16 das 98 estações de monitoramento do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estavam em funcionamento no estado. O dado aponta que cerca de 83% da rede do órgão no Rio Grande do Sul estava fora do ar ou apresentando falhas de medição.
Apagão de dados e erro de localização das chuvas
A ausência de dados confiáveis comprometeu as projeções dos modelos atmosféricos. Os prognósticos indicavam inicialmente que a chuva se concentraria na região central do estado. No entanto, o maior volume caiu na região Norte — local onde estão situadas as cabeceiras dos rios que cortam o território gaúcho.
A mudança pegou moradores e autoridades do Vale do Taquari de surpresa com o avanço repentino da água. Em Porto Alegre, apesar do sol no fim de semana, o Lago Guaíba registrou acúmulo de troncos, madeiras e entulhos arrastados pela correnteza.
A medição no Rio Grande do Sul é considerada crítica para o sistema meteorológico nacional por ser a porta de entrada das frentes frias que chegam da Argentina ao Brasil. Informações incorretas ou incompletas na origem degradam a precisão das previsões nacionais e internacionais.
Até o momento, o Instituto Nacional de Meteorologia não justificou o motivo da inoperância dos equipamentos.
Alerta para nova frente fria
O cenário preocupa para os próximos dias, já que uma nova frente fria trará instabilidade ao estado na próxima semana. A chuva deve começar pelo Oeste gaúcho, com risco de temporais isolados e volumes acumulados que podem ultrapassar os 100 milímetros em algumas regiões.
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