Os golpes do falso motoboy e do falso boleto lideram as fraudes que chegam à Justiça no Brasil nos últimos 15 anos, entre 2010 e 2025, segundo levantamento inédito da plataforma JusBrasil, que identificou quase 129 mil ações judiciais envolvendo crimes digitais.
Vítima perde R$ 800 em falsa doação de móveis
Nas redes sociais, a advogada Beatriz Kulcsár se interessou por publicações feitas no perfil de um conhecido. Ele supostamente anunciava a doação de móveis de uma parente que estaria se mudando, desde que o interessado arcasse com o frete.
Beatriz transferiu os R$ 800 pedidos via Pix, mas o produto nunca chegou. Depois, descobriu que se tratava de um golpe e que o perfil havia sido invadido.
O meu conhecido teve a conta hackeada e o criminoso começou a publicar os objetos falando sobre a doação. Pediu o pagamento do carreto via Pix, dizendo que entregaria o produto depois, e nada. Só depois descobri que era um golpe
Crimes digitais crescem com avanço do mundo online
De acordo com o levantamento, que reúne decisões judiciais de todo o país, os golpes praticados pela internet cresceram de forma contínua nos últimos 15 anos, acompanhando a expansão de serviços digitais, aplicativos bancários e meios de pagamento instantâneos.
O estudo aponta ainda que a maioria desses crimes envolve algum tipo de manipulação emocional. Os golpistas exploram vínculos familiares e relações de confiança para convencer as vítimas a fazer transferências, pagar boletos ou compartilhar dados sensíveis.
Falso motoboy é o golpe mais recorrente
O golpe do falso motoboy lidera o número de processos, com 21% dos casos identificados. Nessa fraude, alguém liga se passando por funcionário do banco, diz que o cartão da vítima foi clonado e informa que um motoboy irá até a casa para recolher o cartão "comprometido". Com o cartão e a senha, os criminosos fazem saques e compras.
Em seguida aparece o golpe do falso boleto, responsável por 19% das ações, no qual boletos adulterados desviam pagamentos para contas de criminosos. Depois vêm o golpe do WhatsApp (13%), o golpe do Pix (11%) e o golpe da falsa central de atendimento (8%), em que ligações simulam canais oficiais de bancos ou empresas.
Como se proteger dos golpes virtuais
Entre as orientações de segurança mais comuns para evitar fraudes digitais, estão:
- Evitar clicar em links suspeitos recebidos por e-mail, SMS ou redes sociais.
- Desconfiar de sorteios, prêmios, doações e ofertas muito abaixo do preço de mercado.
- Confirmar, por outro canal, pedidos de dinheiro feitos por amigos ou parentes por mensagem, áudio ou vídeo.
- Nunca compartilhar senhas, códigos de segurança ou dados bancários por e-mail, SMS, WhatsApp ou telefone.
- Manter um antivírus atualizado em computadores e celulares.
- Desconfiar de ligações que se apresentam como de bancos ou instituições financeiras pedindo cartões, senhas ou transferências.
Caso a pessoa caia em um golpe, é importante registrar boletim de ocorrência, avisar o banco ou a instituição financeira o mais rápido possível e guardar comprovantes, mensagens e registros das transações, que podem ser usados na investigação e em eventual processo judicial.
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