Jornal da Band

Família de babá cearense morta em Portugal luta para repatriar corpo

Lucinete Freitas foi assassinada pela patroa com um bloco de cimento; parentes temem que ela seja enterrada como indigente devido ao custo de R$ 70 mil para o retorno ao Brasil

RAFAEL ARAÚJO

10/01/2026 • 21:38 • Atualizado em 10/01/2026 • 21:38

A família da cearense Lucinete Freitas vive dias de angústia e incerteza quase um mês após o assassinato da babá em Portugal. Lucinete, que trabalhava há poucos meses no país europeu, foi encontrada morta no dia 18 de dezembro em um matagal nos arredores de Lisboa. A principal suspeita é a patroa da vítima, também brasileira, que confessou o crime e permanece presa pelas autoridades portuguesas.

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Lucinete deixa no Brasil o marido, José Teodoro dos Santos, e um filho de 14 anos. Em entrevista ao Jornal da Band, o viúvo relatou o sofrimento da família enquanto aguarda uma solução para o traslado do corpo, cujo custo é estimado em R$ 70 mil, valor que a família afirma não possuir.

Detalhes do crime e ocultação

Segundo informações do Ministério Público português, a babá morreu após ser atingida na cabeça com um bloco de cimento utilizado pela patroa. Após a execução, a suspeita teria ficado com o celular de Lucinete para enviar mensagens a familiares e conhecidos, fingindo ser a vítima para ocultar o crime e atrasar as investigações.

Embora a motivação exata do assassinato ainda não tenha sido esclarecida pelas autoridades, Lucinete relatava frequentemente ao marido a existência de conflitos com a empregadora. O caso é acompanhado pelo Itamaraty, mas a família enfrenta barreiras burocráticas e financeiras para realizar o funeral no Ceará.

O impasse do traslado e o prazo legal

Existe um receio imediato de que Lucinete seja enterrada como indigente em Portugal, uma vez que a legislação local estabelece um prazo de 45 dias para a retirada de corpos em institutos de medicina legal. José Teodoro dos Santos afirma que, apesar de existir uma lei que prevê auxílio para esses casos, o governo alega a falta de um orçamento aprovado para liberar os recursos.

"Foi assinada a lei, no entanto eles alegam que não tem um orçamento aprovado ainda. Uma coisa que já foi assinada já tem 6, 7 meses", desabafou o viúvo sobre a demora na assistência consular e governamental. O custo elevado e a falta de suporte financeiro imediato colocam a família em uma corrida contra o tempo para garantir que a babá receba um sepultamento em sua terra natal.

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