Jornal da Band

Família de brasileira morta na Espanha contesta versão de suicídio

Gisele Fernanda Teodoro Meira, de 32 anos, foi encontrada morta em Oliva; parentes apontam falhas no protocolo policial e buscam trazer o corpo para o Brasil

João Marcelo
JOÃO MARCELO

13/04/2026 • 20:10 • Atualizado em 13/04/2026 • 20:10

Família de brasileira morta na Espanha contesta versão de suicídio

Família de brasileira morta na Espanha contesta versão de suicídio

Band TV

A família de Gisele Fernanda Teodoro Meira, de 32 anos, cobra providências das autoridades espanholas para esclarecer as circunstâncias de sua morte no país europeu. Natural de Curitiba, Gisele vivia em Oliva, na região de Valência, desde dezembro do ano passado, para onde se mudou com o namorado, Joel Lewandowski, em busca de novas oportunidades. O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas os parentes contestam a versão e apontam irregularidades na condução do atendimento inicial.

Compartilhar

No dia 30 de março, Gisele foi encontrada morta no quarto do apartamento onde o casal residia. Segundo o relato do namorado aos socorristas, ele teria saído para a academia e, ao retornar, encontrou a companheira pendurada por uma corda. No entanto, a defesa da família destaca que a polícia espanhola não foi acionada no dia da ocorrência, o que impediu a preservação do local e a realização de perícia técnica imediata.

Falhas no protocolo e suspeitas da família

A advogada da família, Carina Goiatá, questiona a conduta dos socorristas que atenderam o chamado. Segundo ela, o protocolo padrão exigia a convocação imediata da polícia para o isolamento do local e registro fotográfico da cena, procedimentos que não teriam sido realizados. Para os familiares, a ausência de uma investigação oficial no momento do óbito levanta dúvidas sobre o que de fato aconteceu no imóvel.

De acordo com relatos de familiares, a adaptação na Europa apresentava desafios. Ao chegarem ao imóvel alugado, o casal descobriu que o espaço estava ocupado por outros dois imigrantes, com quem passaram a dividir o apartamento desde então. Gisele, que chegou a registrar em vídeo sua intenção de documentar a vida de uma brasileira na Europa, havia investido recursos próprios na viagem, incluindo a venda de seu carro para custear o aluguel adiantado.

Pedido de necropsia e repatriação

A família agora luta para que o namorado de Gisele preste depoimento formal às autoridades antes que possa deixar o território espanhol. Há um esforço concentrado para que o corpo passe por uma necropsia detalhada na Espanha antes de qualquer liberação, visando a obtenção de um laudo pericial que confirme a causa da morte. "Se está como morte suspeita, então o que aconteceu? Cadê a investigação?", questiona a advogada Carina Goiatá.

Paralelamente aos trâmites jurídicos, os parentes criaram uma campanha de arrecadação virtual para custear o translado do corpo para o Brasil. O objetivo é realizar o sepultamento em Curitiba, mas a prioridade absoluta, no momento, é garantir que os exames forenses sejam realizados para dirimir as dúvidas que cercam o caso.