Jornal da Band

Filhos de criminosos recorrem à Justiça para se desvincular dos sobrenomes dos pais; entenda

Uma lei, de 2022, permite que qualquer pessoa, maior de idade, mude seu sobrenome

IGOR CALIAN

11/04/2025 • 19:56 • Atualizado em 11/04/2025 • 19:56

Richthofen, Cravinhos, Matsunaga... sobrenomes conhecidos por causa da gravidade dos crimes cometidos pelos assassinos. Para fugir de uma herança maldita como essa, filhos de condenados recorrem à Justiça para se desvincular da identidade dos pais. E não é tão fácil.

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Suzane Von Richthofen. Condenada, em 2022, a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais. Suzane Louise Muniz, em 2025, cumpre regime aberto.

Elize Matsunaga. Condenada em 2012 a quase 20 anos de prisão por matar e esquartejar o marido. Elize Araújo Giacomini, em 2025, está no regime semiaberto.

Mais do que cabelos e outras características físicas, criminosos condenados, principalmente em casos de grande repercussão, também mudam de nome. A estratégia é aplicada para tentar limpar as marcas dos crimes cometidos.

Nos últimos anos, muitos filhos de criminosos fizeram o mesmo. Uma lei, de 2022, permite que qualquer pessoa, maior de idade, mude seu sobrenome. É só ir até um cartório, pagar uma taxa e comprovar o grau de parentesco com o novo sobrenome desejado.

Tirar o sobrenome de criminosos condenados é uma grande vitória para quem não quer carregar as consequências dos crimes de seus genitores. Mas só a mudança ainda é pouco em vários casos. Para mudar a filiação, o nome do pai e da mãe que aparece nos documentos, é necessário anular a paternidade – o que só é possível judicialmente e pode ser um processo complexo.

“Ela precisa ter as provas do abandono afetivo, porque o crime por si só, muitas vezes, não gera o motivo para a anulação da paternidade. Mas o abandono afetivo gera, porque quebra qualquer identidade de uma pessoa com a outra”, explicou a advogada familista Vanessa Paiva ao Jornal da Band.

O filho de Cristian Cravinhos, condenado junto com Suzane Richthofen, conseguiu. Com uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, o nome de Cristian não está em mais nenhum documento do filho.

“O filho do Christian Cravinhos, ele mesmo diz: "Eu nunca tive vínculo com o meu pai. O meu pai, eu vi três vezes na vida”. Isso se chama abandono afetivo”, completou a especialista.

E não são só os casos de grande repercussão. Tem mães, por exemplo, que tentam tirar, na Justiça, o nome de pais criminosos dos documentos dos filhos.

“O genitor foi condenado criminalmente por estupro de vulnerável. Já tem 3 anos que eu tô nessa luta de proteger o meu filho contra um pedófilo. Tirar todo o direito e dever do genitor e também tirar o sobrenome da certidão de nascimento, né?”, disse uma entrevistada.

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