Jornal da Band

Forças federais intensificam combate ao garimpo ilegal em áreas indígenas

Nos últimos 18 meses, mais de 250 pessoas foram presas por envolvimento com garimpo ilegal em terras indígenas, mas grande parte acaba sendo solta

RODRIGO HIDALGO

22/09/2025 • 23:24 • Atualizado em 22/09/2025 • 23:24

A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Força Nacional de Segurança Pública e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), realiza operações para combater o avanço do garimpo ilegal em terras indígenas, com um foco especial em áreas da Amazônia.

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Durante uma das ações, os agentes federais flagraram a atuação de garimpeiros em Terra Indígena no Mato Grosso, onde cinco pessoas foram rendidas e todo o maquinário pesado, incluindo escavadeiras, foi inutilizado.

A decisão de destruir os equipamentos, segundo o delegado da PF em Roraima, Cristiano Borges, é tomada devido ao difícil acesso aos locais, o que impossibilita a apreensão e o transporte dos materiais. A medida é considerada essencial para paralisar a atividade ilegal de imediato.

A presença do garimpo ilegal também é intensa na região Norte, onde uma equipe de reportagem do Jornal da Noite acompanhou uma operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Funai e Força Nacional na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

O sobrevoo de helicóptero sobre a floresta revelou áreas de extração ilegal de ouro, onde os garimpeiros utilizam rádios para comunicação e monitoram a aproximação das autoridades, tentando esconder seus equipamentos e fugir. Durante a ação, a equipe de segurança foi recebida com disparos de arma de fogo.

Combate à logística e grandes apreensões

No local da operação, mais de trinta garimpeiros trabalhavam na reconstrução de uma pista de pouso clandestina, que havia sido destruída pelas autoridades dias antes. Segundo o policial rodoviário federal Lucas Plentz, a agilidade dos criminosos é alta, com a expectativa de que a pista seja refeita em cerca de cinco dias para continuar recebendo mantimentos e transportando o ouro extraído. A logística, que inclui a utilização de motores e mangueiras para perfurar a terra em busca do minério, é considerada vital para a operação dos garimpos.

A fiscalização e o combate aos crimes ambientais representam uma luta contínua entre as forças de segurança e as quadrilhas. A paisagem deixada pelo garimpo é de devastação: solo revirado, crateras, rios contaminados por mercúrio e a floresta sendo substituída por uma paisagem cinza. As pistas de pouso são destruídas e, pouco tempo depois, reconstruídas, em uma dinâmica de "gato e rato".

Apesar da dificuldade em prender os principais responsáveis, as autoridades têm alcançado vitórias significativas. Em Roraima, a PRF realizou a maior apreensão de ouro da história da corporação, confiscando 103 quilos do metal em um fundo falso de uma caminhonete, logo na chegada a Boa Vista.

O motorista foi preso em flagrante. A carga, avaliada em mais de R$ 60 milhões, não havia sido extraída no estado, mas cruzava o território em direção à Venezuela, com destino final suspeito de ser a Europa ou o Oriente Médio.

Nos últimos 18 meses, mais de 250 pessoas foram presas por envolvimento com garimpo ilegal em terras indígenas, mas grande parte acaba sendo solta. O desafio para as autoridades continua sendo a identificação e a prisão dos verdadeiros donos das operações, os financiadores que articulam e lucram com a atividade ilícita.

Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.