A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (12), uma operação para desarticular um esquema de tráfico internacional de drogas que operava dentro do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.
A ação resultou na prisão de um operador de raio-X suspeito de facilitar o embarque de cocaína para a Europa. Este é o segundo funcionário terceirizado do terminal detido pela mesma investigação; um colega de trabalho já havia sido preso no mês passado sob suspeita de participação na logística criminosa.
A investigação revela que o grupo utilizava o livre acesso a áreas restritas para burlar os protocolos de segurança. O método consistia em entregar a droga a passageiros que já haviam passado pela fiscalização oficial, utilizando banheiros e corredores internos como pontos de encontro. A investigação ganhou tração após a prisão de uma brasileira no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, portando 15 quilos de cocaína que teriam sido fornecidos por este grupo.
Dinâmica do crime e vigilância interna
Imagens do sistema de segurança do aeroporto, registradas em 27 de janeiro, mostram a movimentação dos investigados. Um dos funcionários foi flagrado entrando em uma área reservada carregando uma mochila, de onde saiu uniformizado minutos depois. Ele utilizava um carrinho de produtos de limpeza e rolos de papel higiênico para esconder pacotes com entorpecentes. Às 13h57 daquele dia, o suspeito foi registrado escondendo um saco preto em meio ao material de trabalho para passar pelo raio-X de mercadorias do Terminal 3.
A Polícia Federal aponta que o operador do raio-X preso nesta terça-feira foi peça-chave no processo, pois teria facilitado a passagem da carga ilícita sem emitir alertas no sistema de inspeção. Após atravessar o controle de segurança, o funcionário transportou a droga por elevadores de acesso restrito até o saguão de embarque. Horas depois, às 17h21, as câmeras registraram o momento em que ele entrou em um banheiro para realizar a entrega à passageira, que embarcou para Frankfurt menos de 40 minutos depois.
Próximos passos da investigação e penalidades
A Polícia Federal agora analisa celulares apreendidos para identificar o fornecedor da droga no Brasil e o comprador final no mercado europeu. O foco é descobrir se os presos possuem envolvimento com outras quadrilhas de tráfico internacional.
Os investigados podem responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico, com penas previstas que podem ultrapassar os 20 anos de reclusão. O projeto da Polícia Federal agora é expandir a perícia nos dados digitais para desmantelar toda a cadeia de comando do esquema.
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