Os governadores estaduais sinalizaram que não reduzirão a alíquota do ICMS sobre os combustíveis, contrariando o pedido feito pelo governo federal para tentar frear a escalada de preços e garantir o abastecimento.
O Comitê dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal informou que o corte comprometeria os orçamentos regionais e as políticas públicas, sem garantir uma queda real no valor final ao consumidor devido ao mercado livre. Enquanto o impasse político se mantém, o reflexo já é sentido nas bombas, com o desabastecimento de diesel começando a afetar postos em diversas regiões do país.
Desabastecimento e a rotina dos caminhoneiros
A falta de combustível tem gerado transtornos imediatos para quem depende das estradas para trabalhar. Em São Paulo e Curitiba, postos já operam com bombas de diesel vazias e sem previsão de novas remessas. O caminhoneiro Luiz, que viajou de Belo Horizonte para a capital paulista, relatou a dificuldade em encontrar o produto ao longo de seu trajeto: "Parei em cinco postos. Nenhum tem diesel".
Sérgio Gabardo, diretor de uma transportadora gaúcha, também expressou o clima de incerteza que atinge o setor de logística em toda a América Latina. "Vários postos sem combustível. A gente não sabe se vai ser hoje à noite ou amanhã, e por quanto tempo a gente consegue rodar nessa situação".
Preços em escalada e a visão dos gerentes de postos
Nos estabelecimentos onde o combustível ainda está disponível, os valores saltam diariamente. O relato de um motorista ilustra a velocidade dos reajustes ao longo de uma única semana. "Eu vim aqui na segunda-feira, 6,09. Na quarta, 6,89. Quinta, 6,99. Hoje, 7,49".
Matheus Lucato, gerente de um posto de combustíveis, confirmou que a dificuldade não é apenas com o preço elevado, mas com a própria oferta limitada por parte dos fornecedores habituais. "O diesel, além de encarecer bastante, muitos fornecedores que a gente contava já estão sem".
Causas externas e fiscalização do governo
O cenário de crise é agravado por fatores internacionais, já que cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado, e as remessas foram impactadas pelo conflito no Oriente Médio. Em resposta à alta volatilidade, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), em conjunto com o Procon e a Secretaria Nacional do Consumidor, iniciou uma operação de fiscalização em nove estados e no Distrito Federal para coibir aumentos considerados abusivos.
Embora o governo tenha zerado o PIS/COFINS na última semana, o presidente Lula reforçou que a colaboração dos estados é fundamental. "O governo federal zerou o PIS/COFINS e eu faço um apelo para que os governadores reduzam o imposto estadual, o ICMS".
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