
Trump processa autoridades do Minnesota
REUTERS/Denis Balibouse
O cerco aos imigrantes nos Estados Unidos atingiu um novo patamar de tensão política e jurídica. O Departamento de Justiça do governo de Donald Trump emitiu intimações contra autoridades democratas do estado de Minnesota, incluindo o governador Tim Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. A medida faz parte de uma investigação federal que acusa os líderes locais de obstrução às leis de imigração e interferência nas operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
A ofensiva ocorre em meio a uma escalada de violência nas abordagens do ICE na região. Agentes federais têm realizado invasões a residências sem mandados judiciais e detido indivíduos em condições extremas, sob o argumento de uma norma interna que permite o uso da força para alvos de deportação. Em um dos episódios mais graves, Renee Good, uma cidadã americana de 37 anos, foi morta por agentes durante uma abordagem, gerando revolta e protestos em massa.
As autoridades de Minnesota classificam as intimações como retaliação política. Governadores e prefeitos que se opõem à repressão afirmam que a defesa dos direitos civis e a fiscalização de abusos cometidos por agentes federais não constituem crime. O embate jurídico coloca em xeque a interpretação da Quarta Emenda da Constituição americana, que exige mandados assinados por juízes para buscas domiciliares.
Aumento de agentes e o epicentro da crise em Minnesota
A estrutura de repressão migratória foi severamente ampliada pelo atual governo. O número de agentes do ICE mais do que dobrou em 2025, saltando de 10 mil para 22 mil profissionais. O volume de deportações também acompanhou esse crescimento, ultrapassando a marca de 600 mil ocorrências no período.
Em Minneapolis, a comunidade local passou a se organizar para resistir às operações. Moradores realizam "apitaços" para alertar sobre a chegada de viaturas do ICE e monitoram as ações dos agentes, que frequentemente utilizam máscaras e armamento pesado. A região de Minnesota tornou-se o epicentro dessa "caçada" a estrangeiros, atraindo a atenção de organizações de direitos humanos que denunciam a violação de garantias fundamentais.
Pressão sobre o México e combate aos cartéis
A política migratória e de segurança de Trump também gera impactos diretos na relação com os países vizinhos. Sob pressão da Casa Branca, o governo da presidente mexicana Claudia Sheinbaum enviou 37 detentos ligados a cartéis de drogas para serem julgados em solo americano. Esta foi a primeira transferência do gênero no ano e a terceira desde o início do mandato de Trump.
O grupo de extraditados inclui integrantes das facções de Sinaloa e Jalisco, responsáveis por parte do tráfico de fentanil — opioide que causou uma crise de saúde pública nos EUA. A entrega dos criminosos é vista como um gesto diplomático estratégico de Sheinbaum para evitar as ameaças de ação militar direta de Trump contra traficantes em território mexicano.
Ao todo, o México já enviou quase 100 indivíduos acusados de crimes graves aos Estados Unidos recentemente. Donald Trump mantém a retórica de que os cartéis representam uma ameaça direta à segurança nacional, utilizando essa justificativa para cobrar resultados imediatos das autoridades mexicanas sob pena de sanções ou intervenções mais drásticas.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

