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Governo Trump processa autoridades de Minnesota por oposição a operações

Investigação atinge governador e prefeito de Minneapolis após série de ações violentas do ICE; em paralelo, México extradita 37 criminosos sob pressão da Casa BrancaO cerco aos imigrantes nos Estados Unidos atingiu um novo patamar de tensão política e jurídica. O Departamento de Justiça do governo de Donald Trump emitiu intimações contra autoridades democratas do estado de Minnesota, incluindo o governador Tim Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. A medida faz parte de uma investigação federal que acusa os líderes locais de obstrução às leis de imigração e interferência nas operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). A ofensiva ocorre em meio a uma escalada de violência nas abordagens do ICE na região. Agentes federais têm realizado invasões a residências sem mandados judiciais e detido indivíduos em condições extremas, sob o argumento de uma norma interna que permite o uso da força para alvos de deportação. Em um dos episódios mais graves, Renee Good, uma cidadã americana de 37 anos, foi morta por agentes durante uma abordagem, gerando revolta e protestos em massa. As autoridades de Minnesota classificam as intimações como retaliação política. Governadores e prefeitos que se opõem à repressão afirmam que a defesa dos direitos civis e a fiscalização de abusos cometidos por agentes federais não constituem crime. O embate jurídico coloca em xeque a interpretação da Quarta Emenda da Constituição americana, que exige mandados assinados por juízes para buscas domiciliares. Aumento de agentes e o epicentro da crise em Minnesota A estrutura de repressão migratória foi severamente ampliada pelo atual governo. Segundo dados apurados pelo jornalista Eduardo Barão, o número de agentes do ICE mais do que dobrou em 2025, saltando de 10 mil para 22 mil profissionais. O volume de deportações também acompanhou esse crescimento, ultrapassando a marca de 600 mil ocorrências no período. Em Minneapolis, a comunidade local passou a se organizar para resistir às operações. Moradores realizam "apitaços" para alertar sobre a chegada de viaturas do ICE e monitoram as ações dos agentes, que frequentemente utilizam máscaras e armamento pesado. A região de Minnesota tornou-se o epicentro dessa "caçada" a estrangeiros, atraindo a atenção de organizações de direitos humanos que denunciam a violação de garantias fundamentais. Pressão sobre o México e combate aos cartéis A política migratória e de segurança de Trump também gera impactos diretos na relação com os países vizinhos. Sob pressão da Casa Branca, o governo da presidente mexicana Claudia Sheinbaum enviou 37 detentos ligados a cartéis de drogas para serem julgados em solo americano. Esta foi a primeira transferência do gênero no ano e a terceira desde o início do mandato de Trump. O grupo de extraditados inclui integrantes das facções de Sinaloa e Jalisco, responsáveis por parte do tráfico de fentanil — opioide que causou uma crise de saúde pública nos EUA. A entrega dos criminosos é vista como um gesto diplomático estratégico de Sheinbaum para evitar as ameaças de ação militar direta de Trump contra traficantes em território mexicano. Ao todo, o México já enviou quase 100 indivíduos acusados de crimes graves aos Estados Unidos recentemente. Donald Trump mantém a retórica de que os cartéis representam uma ameaça direta à segurança nacional, utilizando essa justificativa para cobrar resultados imediatos das autoridades mexicanas sob pena de sanções ou intervenções mais drásticas

Da redação
DA REDAÇÃO

21/01/2026 • 20:46 • Atualizado em 21/01/2026 • 20:46

Trump processa autoridades do Minnesota

Trump processa autoridades do Minnesota

REUTERS/Denis Balibouse

O cerco aos imigrantes nos Estados Unidos atingiu um novo patamar de tensão política e jurídica. O Departamento de Justiça do governo de Donald Trump emitiu intimações contra autoridades democratas do estado de Minnesota, incluindo o governador Tim Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. A medida faz parte de uma investigação federal que acusa os líderes locais de obstrução às leis de imigração e interferência nas operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).

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A ofensiva ocorre em meio a uma escalada de violência nas abordagens do ICE na região. Agentes federais têm realizado invasões a residências sem mandados judiciais e detido indivíduos em condições extremas, sob o argumento de uma norma interna que permite o uso da força para alvos de deportação. Em um dos episódios mais graves, Renee Good, uma cidadã americana de 37 anos, foi morta por agentes durante uma abordagem, gerando revolta e protestos em massa.

As autoridades de Minnesota classificam as intimações como retaliação política. Governadores e prefeitos que se opõem à repressão afirmam que a defesa dos direitos civis e a fiscalização de abusos cometidos por agentes federais não constituem crime. O embate jurídico coloca em xeque a interpretação da Quarta Emenda da Constituição americana, que exige mandados assinados por juízes para buscas domiciliares.

Aumento de agentes e o epicentro da crise em Minnesota

A estrutura de repressão migratória foi severamente ampliada pelo atual governo. O número de agentes do ICE mais do que dobrou em 2025, saltando de 10 mil para 22 mil profissionais. O volume de deportações também acompanhou esse crescimento, ultrapassando a marca de 600 mil ocorrências no período.

Em Minneapolis, a comunidade local passou a se organizar para resistir às operações. Moradores realizam "apitaços" para alertar sobre a chegada de viaturas do ICE e monitoram as ações dos agentes, que frequentemente utilizam máscaras e armamento pesado. A região de Minnesota tornou-se o epicentro dessa "caçada" a estrangeiros, atraindo a atenção de organizações de direitos humanos que denunciam a violação de garantias fundamentais.

Pressão sobre o México e combate aos cartéis

A política migratória e de segurança de Trump também gera impactos diretos na relação com os países vizinhos. Sob pressão da Casa Branca, o governo da presidente mexicana Claudia Sheinbaum enviou 37 detentos ligados a cartéis de drogas para serem julgados em solo americano. Esta foi a primeira transferência do gênero no ano e a terceira desde o início do mandato de Trump.

O grupo de extraditados inclui integrantes das facções de Sinaloa e Jalisco, responsáveis por parte do tráfico de fentanil — opioide que causou uma crise de saúde pública nos EUA. A entrega dos criminosos é vista como um gesto diplomático estratégico de Sheinbaum para evitar as ameaças de ação militar direta de Trump contra traficantes em território mexicano.

Ao todo, o México já enviou quase 100 indivíduos acusados de crimes graves aos Estados Unidos recentemente. Donald Trump mantém a retórica de que os cartéis representam uma ameaça direta à segurança nacional, utilizando essa justificativa para cobrar resultados imediatos das autoridades mexicanas sob pena de sanções ou intervenções mais drásticas.

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