Jornal da Band

Groenlândia: premiê rejeita oferta de compra dos EUA e busca apoio da Otan

Em meio a pressões de Donald Trump, o líder Jeans Frederik Nielsen reafirma soberania e conta com apoio bipartidário de senadores americanos para barrar anexação

FELIPE KIELING

13/01/2026 • 19:54 • Atualizado em 13/01/2026 • 19:54

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jeans Frederik Nielsen, afirmou nesta terça-feira que o território autônomo "não está à venda" e rejeitou qualquer tentativa de controle por parte dos Estados Unidos. A declaração ocorreu ao lado da premiê dinamarquesa, em um momento de crescente tensão geopolítica após publicações da Casa Branca sugerirem o interesse do presidente Donald Trump na anexação da maior ilha do planeta. Nielsen reforçou que, em termos de alianças estratégicas, a prioridade local recai sobre a Dinamarca, a Otan e a União Europeia.

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A Groenlândia, que possui governo, parlamento e língua próprios, ocupa uma área vasta equivalente à soma dos territórios da França, Alemanha, Itália, Espanha, Polônia e Grécia. Apesar da dimensão geográfica, a população é de aproximadamente 56 mil habitantes, marcada por tradições milenares de sobrevivência no Ártico.

Atualmente, o governo local busca ampliar o envolvimento direto da Otan para garantir a soberania e assegurar que nenhuma potência global tome decisões unilaterais sobre o futuro do território.

Pressão internacional e resistência política

A elite política da ilha defende a manutenção de acordos diplomáticos existentes sem que isso signifique a perda da autonomia. Per Berthelsen, parlamentar veterano e fundador do partido Demokraatit, maior força política do país, ressalta que a relação com os Estados Unidos deve ser de igualdade e baseada em tratados específicos, mencionando as bases militares americanas já instaladas na região. "Queremos acordos, não ser bloqueados", afirma o parlamentar.

A movimentação de Washington gerou apreensão na capital Nuuk. Enquanto jovens locais expressam temor por uma possível intervenção, comparando a situação a crises políticas em outras nações, a resistência se organiza politicamente.

Reação no Congresso Americano

A crise diplomática mobiliza também o legislativo dos Estados Unidos. Uma comitiva bipartidária de senadores deve desembarcar na Dinamarca ainda nesta semana para tratar do impasse. Tanto democratas quanto republicanos articulam uma legislação que limite tentativas unilaterais de anexação do território, buscando conter os impulsos do governo Trump e preservar a estabilidade na região ártica.

A estratégia dos parlamentares americanos visa reafirmar que o futuro da Groenlândia deve ser decidido por seu próprio povo, respeitando a história de mais de 4 mil anos de ocupação do território.