Resumo
O Brasil registrou recordes históricos de inadimplência em 2025, com 80% das famílias endividadas e 8,9 milhões de empresas inadimplentes, sendo o setor de serviços o mais afetado, devido aos juros altos e dificuldades para quitar dívidas.
A inadimplência atinge três em cada dez brasileiros endividados, agravada por imprevistos, falta de seguro ou reserva de emergência, como exemplificado pela autônoma Mariana Maldonado, que aumentou suas dívidas após o roubo de sua moto de trabalho.
Especialistas recomendam organização financeira, priorização de dívidas essenciais e renegociação de condições, destacando que planejamento, disciplina e ajuste do padrão de vida são fundamentais para a recuperação econômica de famílias, empresas e do PIB brasileiro.
O Brasil encerrou o último período com índices alarmantes de inadimplência, atingindo recordes históricos tanto para pessoas físicas quanto para empresas. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80% das famílias brasileiras possuíam algum tipo de dívida em fevereiro, o maior nível registrado nos últimos 16 anos. O cenário é agravado pelos juros altos, que tornam o pagamento de credores uma tarefa cada vez mais difícil.
A situação de endividamento, quando não resolvida, evolui para a inadimplência, atraso efetivo das contas. Atualmente, três em cada dez brasileiros endividados estão com pagamentos atrasados. Esse desequilíbrio nasce, muitas vezes, de imprevistos aliados à falta de seguro ou reserva de emergência, como o caso da autônoma Mariana Maldonado, que viu sua dívida explodir após ter a moto de trabalho roubada sem seguro.
Crise atinge o setor produtivo
O impacto não se restringe aos lares. O ano de 2025 terminou com 8,9 milhões de empresas inadimplentes no país, um salto de 2 milhões em comparação ao ano anterior, segundo a Serasa Experian. O setor de serviços é o mais castigado: mais da metade dos negócios (55%) não consegue quitar seus débitos em dia.
Como sair do vermelho
Para enfrentar o problema, especialistas recomendam uma "faxina financeira" imediata. O primeiro passo é listar todos os ganhos e despesas para entender onde o orçamento está sufocado. Reinaldo Domingos, presidente da ABEFIN, sugere a priorização de dívidas essenciais e daquelas que possuem juros mais elevados.
Uma estratégia eficaz é a substituição de dívidas caras, como o rotativo do cartão de crédito, por modalidades com taxas menores, como o crédito consignado. "No caso das empresas, o caminho é procurar fornecedores, propor o esticamento de prazos e tentar realizar novas compras à vista para retomar o crédito".
Planejamento e disciplina
Sair da inadimplência exige tempo e esforço. O economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, reforça que o endividamento atual é reflexo de um custo de crédito elevado e de um orçamento familiar no limite. O objetivo para quem está nessa situação deve ser reorganizar o padrão de vida para que ele caiba na renda atual, evitando novos parcelamentos enquanto as dívidas antigas são renegociadas.
A recuperação da saúde financeira de famílias e empresas é considerada essencial para que o Produto Interno Bruto (PIB) do país volte a apresentar um crescimento robusto, já que o consumo e o investimento dependem diretamente da redução desses índices de atraso.
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